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Lorena Burger

Laços de família

21 maio 2024 - 08h00 Por Gabriely Machado
Laços de família

O mês de maio tem um diferencial muito especial, é nele que comemoramos o dia das mães, o mês de Maria a nossa mãe celestial, aquela que a todos ampara...
Nesse mês os laços de família se estreitam para quem ainda tem mãe aqui na terra é tempo de comemorações, de visitas de presentes, daqueles almoços simples e cheios de conversas, risos e brincadeiras...
Filhos, netos e toda família reunida faz o sorriso dessa mulher simples que dedicou sua vida para gerar outras vidas ficar radiante de alegria, seu olhar ganha um brilho especial e lá no seu íntimo certamente a realização é plena por ver que constituiu uma família unida, feliz e muito companheira. Nenhum presente é mais importante que a presença daqueles que ama junto com suas novas famílias que ela aprendeu a amar também, pois, a felicidade deles é a sua também. Nós que já não temos sua presença física sentimos falta desse aconchego amoroso, do olhar terno que nos acolhia em qualquer dia e horário, que estava ali sempre pronta a nos ouvir, a nos estender as mãos para nos auxiliar na caminhada mais pedregosa... 
Sentimos falta do café que parecia estar sempre nos esperando, das bolachinhas nos potes enfileirados no armário para satisfazer o gosto de cada um de nós, todas essas guloseimas feitas por ela com carinho enquanto cantarolava baixinho canções de suas lembranças...
Hoje o olhar desses filhos que já não tem mais a mãe presente em suas vidas têm nessas datas o olhar perdido nas boas lembranças e na saudade que é sempre infinita, que não diminui com o passar do tempo e que dói sempre.
Por vezes nos reunimos e tentamos refazer nossas lembranças da infância, das comidas com sabor especial todo dia que pareciam ter temperos mágicos que davam sabor diferente para simples pratos com arroz e feijão, entretanto, parece que não temos o mesmo dom e por mais que caprichemos não vai ficar igual...
O tempo passou rápido demais na companhia dela e acabamos seguindo nossos caminhos com sua aprovação benevolente vendo o ninho se esvaziar e ao mesmo tempo acolhendo os novos filhos que trazíamos com um amor e entendimento diferenciado daquele que nos dedicava, mas carregado de sabedoria...
Hoje somos nós, mães de um novo tempo que não temos muito tempo para comidinhas especiais, que nem sempre estamos em casa aguardando com os braços estendidos de forma acolhedora, pois, os tempos mudaram e muitas de nós desenvolvemos atividades fora do lar para colaborar na manutenção e bem estar da família.
Muitas vezes o almoço pode acontecer num restaurante sem aquele sabor de comidinha caseira, nem por isso o amor que dedicamos é menor e menos intenso, esse sentimento que nasce junto com os filhos que geramos nos transformam, nos faz ver o mundo sobre outro prisma e acabamos mesmo com toda modernidade e evolução sabendo entender o olhar de cada um deles e oferecer o abraço confortante, da mesma forma que em outros tempos recebíamos e de certa maneira nos vemos repetindo cenas que vivenciamos com nossas mães. Enquanto as lembranças se fazem presentes em nossa memória e não mais sentindo o conforto do abraço aconchegante e forte de nossas mães, sentimos as lágrimas correrem teimosamente por nossa face, numa tentativa vã de minorar a saudade que somente terá fim quando o reencontro acontecer...
Por isso sempre ouvimos... Abrace sua mãe enquanto elas estão aqui, fazem muita falta em nossas vidas...