Estamos sempre falando em nos prevenir sobre certas situações e no cotidiano nos esquecemos disso, assim levamos a vida levemente ou levianamente. É muito grande o número de pessoas que tiram a própria vida e os motivos sempre são presumidos por nós, porque nem sempre deixam suas memórias gravadas ou escritas de forma que possamos saber o que os afligia para tomarem uma atitude tão radical. No mês que falamos sobre a prevenção ao suicídio temos que nos conscientizar que os motivos possivelmente venham fazendo parte da existência dessas pessoas desde tenra idade, ele não é um fato isolado como podemos crer...
A vida parece não ter sentido quando o sofrimento faz parte dela cotidianamente e, em nossos tempos, talvez por conta do estresse, a violência convive em cada um de nós com maior ou menor intensidade. Uns a controlam eficientemente, outros se exacerbam e extrapolam em suas atitudes, falam alto, gritam, xingam e muitas vezes agridem fisicamente as pessoas de sua família sem se importar com o julgamento que fazem dela ou do temor que inspiram nas crianças que tudo observam silenciosamente, sem entender o porquê dessas atitudes muitas vezes cruéis e desrespeitosas.
Alguns desses seres em formação acabam entendendo a violência como coisa natural e corriqueira e se adaptam de tal maneira que agem assim também naturalmente, crescem e desejam que todos se submetam à suas vontades por bem ou por mal.
Outros mais sensíveis sofrem calados e guardam em sua memória esses atos que sempre que são relembrados causam grande sofrimento e os faz se recolherem tornando-se solitários e introspectivos ou disfarçam com um sorriso sempre estampado no rosto, fazendo piadas e mostrando uma alegria de verdadeiramente não existe em seu ser.
Está muito comum, infelizmente, o abuso de crianças dentro de suas casas, lugar onde mais deveriam se sentir seguras e que acaba se tornando palco de muitas tragédias e memórias das quais ninguém quer se recordar. Um tempo em que pais e mães sem nenhum escrúpulo abusam de crianças, seus filhos ou enteados, sem se preocupar com a idade desses seres que obrigatoriamente deveriam ser cuidados. Os menores acabam sofrendo danos físicos imensos que muitas vezes perdem a vida por conta desses abusos desmedidos.
Aqueles que não entendem, mas são subjugados pela força do desejo incontido dos adultos e nada podem fazer, guardam em suas memórias mais intimas a lembrança desses atos infelizes e sofrem calados, normalmente envergonhados, até mesmo acreditando que são culpados por essas atitudes inaceitáveis dos adultos que amam por conta dos laços familiares que os unem. É um sentimento de culpa inexplicável, pois, não conseguem mesmo em sua vida adulta entender ou expor sem se envergonhar e essas lembranças causam temor que silenciosamente os corrói, não conseguindo discernir entre o amor e o ódio que cultuam dentro de si pelos familiares com os quais que muitas vezes ainda convivem e que continuam temendo, porque em sua memória tudo é vivo e cruel.
A vida adulta também traz consigo muita crueldade e maledicência, então o silêncio se torna um companheiro fiel e doloroso, porque as lembranças sempre presentes são feridas abertas que sangram...
Poucos de nós entende o que vai no interior de cada ser que conosco convive, assim deveríamos estar mais atentos aos pequenos sinais que por vezes deixam escapar e ter olhos e ouvidos para observar e escutar, abraços sempre espontâneos para aconchegar nos momentos difíceis, palavras de amor e entendimento, não de acusação e, talvez assim com paciência, entendimento e empatia pudéssemos diminuir o número de suicídios e quiçá, também conseguíssemos diminuir a violência em todas as suas formas que aparenta ser natural em tempos atuais.