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Padre Carmine

Dona Laiz esposa do Dr. Roston, uma mulher à frente do seu tempo

10 janeiro 2025 - 08h00 Por Gabriely Machado
Dona Laiz esposa do Dr. Roston, uma mulher à frente do seu tempo

Muitas ilusões ou verdadeiros sonhos nas épocas passadas tomavam conta da vida das meninas, das jovens e das mulheres já casadas.
"Pode ser difícil se compreender hoje, escreve o querido amigo Dr. Suami P. de Azevedo, quando não era considerado "algo positivo", uma mulher saber ler e escrever. Em Suzano foi com festas que se recebeu a informação de que havia sido promulgada a Lei de 28 de março de 1870. Ela criava, anexa à Capela de Nossa Senhora da Piedade, no Baruel, uma "cadeira de primeiras letras apenas para o sexo masculino". Somente no início de 1.900 uma mulher brasileira chegou pela primeira vez aos bancos universitários e foi em 1930 que a mulher teve reconhecida a sua dignidade plena de cidadã brasileira.
Em 1950 em Suzano nenhuma mulher dirigia carros ou vestia calças compridas. As coisas mudaram com a chegada em Suzano de Dona Laiz da Mota Cera Roston esposa do Dr. João Roston. Uma mulher de belas intuições que tentava colocar suas companheiras no lugar que elas mereciam. Com toda a sua formosura, determinada e independente, com uma voz educada e com toda a sua bela e doce aparência, mantida e conservada, do mesmo jeito, até hoje, não obstante os seus 97 anos a serem completados em junho, sobrepujou toda a tradição obsoleta a respeito das mulheres.. 
Não era, de jeito nenhum, uma mulher feminista, ao contrário, como professora iniciou a trabalhar, conforme o relato de seus filhos Carlos, Paulo e Beto, nas chamadas " Escolas de Emergência" localizadas em Suzano no Bairro da Fazenda Viaduto e na área da Pedreira. Escolas onde ela conseguia chegar, em caminhos de terra, com o charreteiro Daniel. Este quadro eu lhe traço pelo fato que há muito tempo a conheço bem de perto, visitando-a em sua casa e recebendo o convite a cada ano para comemorar seu aniversário. Franca e de sorriso aberto, mas também enrubescendo sua face perante qualquer maldade.
Por estar bem presa a emancipação da mulher, sem estender seu dedo contra ninguém, simplesmente decidiu sair pelas ruas de Suzano com o Jeeep Willys de seu esposo Dr. João, usando caças compridas, nada temendo pelos olhares do povo que nunca tinha visto uma mulher dirigir carro ou usar calças compridas.. Dispensando todo o respeito, foi reprendida pelo Prefeito que refletindo sobre o que todo mundo estava pensando, achou tal iniciativa um absurdo. Por tudo o que Dona Laiz já passou, sempre firme em seus passos, virtude que lhe é peculiar, soube com firmeza caminhar. Hoje ao olhar o passado, parece que a humanidade se deparou com dois mundos diferentes, o mundo no qual as mulheres viviam para não aparecer, escondidas entre casa e Igreja e o mundo de lindas mulheres tão empoderadas e prendadas, arrancando calorosas palmas por seus trabalhos fora de casa, nas fábricas, firmas, industrias, e nos primeiros escalões da vida acadêmica e política. Dona Laiz, com toda a facilidade e espontaneidade, sem esforço, a todos encantou por ser a primeira mulher a dirigir um Jeep em Suzano e sair de casa usando calças compridas.