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Colunista

O serviço aos moradores de rua

19 agosto 2016 - 08h00 Por Gabriely Machado
O serviço aos moradores de rua

carmineJá faz alguns dias, que os Voluntários, chegando à noite se dirigem na Praça João Pessoa, tiram algumas mesas da Perua Kombi para o jantar ao ar livre, dos moradores de rua. Antes, a distribuição da sopa, era entregue diretamente nas mãos dos andarilhos. Agora, os Voluntários acharam por bem colocar as mesas. É valioso este serviço, no entanto, mais valiosa é a acolhida oferecida pelas Igrejas e outras Associações, aos moradores de rua, em locais mais adequados para eles. Onde não são permitidos: bebidas, drogas, cigarros e nem brincadeiras de mau gosto, ou agressões. Cabe aos Voluntários, ao Serviço Social e também à Polícia Civil, saber se houve briga entre os moradores de rua durante o dia e a quem foram passadas drogas. Nestes casos, é necessário tomar as medidas necessárias, para que na rua não aconteça o pior. É verdade, que vivendo num mundo embaraçado, feridos e frustrados nos sentimentos e afetos familiares, merecem todo o apoio social e psicológico. São terríveis, as noites que passam deitados no chão, tentando aquecer o corpo com papelão e cobertor. Por isso são bem-vindos os Voluntários, quando levam e oferecem para eles, a sopa quente e o pãozinho fresco. A sopa aquece o corpo, mas o que mais dá alegria e vida aos irmãos de rua, é o amor solidário e fraterno dos Voluntários. Se de um lado estão vivendo uma triste realidade, do outro lhes faltou a força e a coragem, para superar as crises que surgiram, por desavenças conjugais, familiares ou profissionais. E hoje vivem tão pesadamente, por não fazerem nada e ao mesmo tempo não querem nada e vivem sem nada. As condições de vida são desumanas. A sopa e o cobertor que recebem, são apenas um paliativo para os manter em vida. Falta oferecer-lhes um melhor sistema de sobrevivência. O abrigo do Bom Samaritano, administrado pela Cáritas e mantido com a verba da Prefeitura, é insuficiente para abrigar o grande número de moradores de rua, que vivem em Suzano. A morte de um andarilho, no Ponto de ônibus localizado no Miguel Badra, chega a ser repugnante. É uma nota triste e dolorosa ao ver um ser humano ser vítima de uma morte tão cruel, que poderia ser evitada.. O olhar sobre esta realidade, às vezes, provoca a comoção das pessoas. Há quem consegue resgatar da rua o irmão caído no chã estendendo a mão com um gesto de bondade radical que ultrapassa todas as fronteiras. Escutei de um morador de rua este comovente relato:" me viu na rua e me deu um quartinho para morar. Me levou no médico e mais do que tudo isso, me deu um lugar no seu coração. Me amou quando em mim nada tinha que alguém pudesse amar!". Esta história marca o triunfo dos pequenos gestos de tamanho cósmico. Infelizmente, o gesto de um só não salva o mundo dos moradores de rua. Porém, a caridade é o único gesto que salva qualquer mundo, pois não é realizado em benefício apenas de uma pessoa, mas de toda a humanidade. A caridade tem uma dimensão universal se acompanhada por um amor voltado para todos.