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Colunista

Município

01 outubro 2016 - 08h00 Por Gabriely Machado
Município

suami-cor_Estava pensando no lugar em que moramos. Sempre temos aí as vinculações mais estreitas com pessoas, fatos e paisagens. A criança deve ser orientada a identificar suas vinculações. Ela não pode ser largada, a descobrir sozinha as ligações da sua vida. A criança vai aprendendo a se localizar. Inicia com a identificação de sua família, mamãe, papai, irmãos, parentes. É natural. Sua família é quem estiver mais próximo dela nesse início de vida. Essa continuidade confirma seu parentesco. Em seguida, além da família, pode lhe ter a identificação de proximidade, com a gente da escola, ou outros locais de convivência, na proximidade da localização de sua casa. Seus vizinhos tornam-se vinculados a ela. Daí a criança já começa a sentir seus coleguinhas de escola. Serão o início do seu futuro. Passará dos amiguinhos da sua infância para os da adolescência. E essa é a fase em que precisa descobrir que pode mais, ir mais longe, com mais autonomia nas suas escolhas. E na vida precisamos dessa disso. Nem todos os pais lembram que também tiveram essas necessidades na sua vida pessoal. E tantas vezes tentam limitar os filhos. E alguns filhos, até por conforto, preguiça e desestimulo acabam se acomodando nas conformidades dos pais e vão permanecendo como seus dependentes para sempre. E a vida vai com as pessoas que vão compondo nossa vida passo a passo. E vamos identificando mais gente e mais locais, além da nossa casa, existem as casas dos vizinhos. Existem as casas dos amiguinhos, coleguinhas de escola. A dos amigos dos amigos, em locais cada vez mais afastados de nossa casa familiar. E entramos na juventude com muito mais gente nova aproximadas a nós mesmos. E começamos nossas relações de trabalho, de religião, de filosofia, de política. De repente descobrimos que também temos responsabilidades com a nossa Cidade, com a nossa Região, com a nossa Província, com o nosso Estado, com o nosso País, com o nosso Mundo. E aí, então descobrimos que ninguém mora num País, que ninguém mora num Estado. Que moramos, que vivemos num Município, numa Cidade. Claro, tem muita gente que está num lugar, mas não se interessa por ele, nem luta por sua melhoria. São os tais de “invasores”, ocupando espaços, sem vinculação - aquela que a criança foi aprendendo. Esses serão vândalos desse lugar, claro. Mas, quem identifica suas ligações quer viver bem com suas gentes, da família, do bairro, da escola, do trabalho, da vida. E se junta para encontrar a melhor proposta para essa sua vida e da sua gente. Temos de pensar bem nisso. No Município. É onde vivemos.