Temos no Brasil um enorme calendário de eventos. Os nossos legisladores "podem" pouco em termos de criatividade, então criam os tais "Dias...disso...daquilo...". No dia 20, semana passada, foi "Dia do Poeta". Hoje, dia 29, temos o "Dia Nacional do Livro".
Amigos leitores, são duas efemérides a destacar. Claro, gostei de receber cumprimentos por ser um poeta. Coisa importante na minha vida e de tantos mais.
Por outro lado, sabemos o quanto o livro também é imensamente importante. Mesmo se digitalizado ele é escrito. Palavra a palavra. Histórias. Versos. Mesmo que pesquisas recente informem que os e-livros, os livros digitais, estejam caindo na demanda do mercado, em termos quantitativos. O que pode ser um momento. É cedo para se afirmar que é o caminho real que se exibe para o futuro.
Enfim, lembrei de uma palestra que fiz numa faculdade, recentemente, sobre a "Poesia nos Tempos de Hoje". Como já sabia que seria questionado sobre "o que é Poesia?", fui preparado. Levei uns versos de Caetano Veloso, um dos nossos grandes poetas, mesmo sendo também um compositor-letrista. Vejam esta estrofe, de "Força Estranha": "Eu vi a mulher preparando outra pessoa/ o tempo parou pra eu olhar para aquela barriga/ a vida é amiga da arte/ é a parte que o sol me ensinou/ o sol que atravessa essa estrada que nunca passou". Vejam quantos símbolos! Somos nós ouvintes ou leitores que temos de interpretar o que pretendeu o escritor, poeta, ou letrista.
Muitas e muitas outras tantas vezes a letra de uma música é apenas uma "prosa rimada". Ela é apenas o que qualquer pessoa pode dizer e diz numa conversa. Mas, acompanhada de uma bela melodia, muitas vezes nos sensibilizam muito. A Poesia trabalha com símbolos, com figuras de linguagem, como especialmente a Metáfora. Por exemplo: "Esta cantora é um sabiá". Uma pessoa nunca será um pássaro, mas pode nos envolver como o faria uma ave cantando.Somos nós que "recriamos" o que aquela letra, ou aquela poesia, disse, ou pretendeu dizer. O leitor, o ouvinte é quem coloca a sua informação, a sua formação, a sua cultura, para interpretar o que foi dito ali. E há situações em que nem alcançamos o que o autor pretendeu.
Para o livro é fundamental também contar com o leitor, seja na sua interpretação quanto em sua disponibilidade. Uma professora me deu Machado de Assis para ler quando tinha apenas 11 anos.
Li, entendi pouco e achei muito chato. Queria aventuras. Era criança. Aos 17 retomei Machado. Foi lindo, um encanto. Já estava mais preparado.
Vamos recriar o que nos é oferecido.