É muito bom encontrar parentes e amigos distantes ou até mesmo próximos que não vemos com frequência por conta muitas vezes da vida atribulada que levamos nos tempos atuais, com a rotina de trabalho e compromissos que assumimos e que consome nossa atenção quase integralmente.
Com os familiares relembramos os tempos passados que curtimos com eles, com os mais velhos sempre podemos ouvir as histórias que desconhecemos, de nossos pais crianças e jovens, tempos que não vivemos, mas que ouvimos com atenção, afinal faz parte de nossa história.
Com os contemporâneos relembramos nossa infância, as brincadeiras, as nossas histórias em comum e trocamos ideias sobre o que fazemos atualmente, nossas famílias, nossas profissões,
Discutimos sobre política, sobre futebol e até percebemos o quanto somos parecidos em muitos aspectos, o que por certo não nega nossa consanguinidade.
O reencontro com amigos de nossa infância, de nossa adolescência, nos traz uma alegria imensurável...
Com eles compartilhamos e relembramos as artes que fizemos longe dos olhos severos de nossos pais, as transgressões, todas sem o caráter de criminalidade, mas sim de fazer o que não nos era permitido em nossos lares.
Conversas que considerávamos de adultos, os flertes, os namoros escondidos, as paixões secretas, as conversas na sala de aula (tirando a paciência dos professores), tempo onde não havia outro meio de conversar a não ser pessoalmente, pois o telefone era de uso dos adultos e para assunto urgente.
Os campeonatos escolares por demais importantes em nossas vidas, o jogo de basquete ou de vôlei era de vida ou morte entre escolas diferentes e os colegas tornavam-se adversários aos quais não perdoávamos as falhas.
Tempos em que liberados por nossos pais íamos aos bailinhos de garagem ou aos clubes de nossa cidade, e nos esbaldávamos de dançar ao som do rock e de boas músicas e aproveitávamos para namorar, rostinho colado, deslizando vagarosamente pelo salão.
Muitos desses namoros acabaram em casamentos felizes que perduram até os tempos de hoje e, quando nos encontramos comemoramos com alegria essas uniões, que já em muitos casos curtem até a chegada dos netos.
Os flertes da época servem para relembrar a alegria desse namoro silencioso, onde acreditávamos que éramos correspondidos pelo simples fato de haver a cumplicidade do olhar.
Nessas reuniões vamos ouvir músicas daquele tempo, fazendo a memória voltar plena e assim nos sentimos jovens novamente e, sem temor de qualquer vexame, pois, estamos entre amigos que nos entendem, podemos dançar conversar, relembrar o que fizemos e imaginarmos que possivelmente faríamos tudo de novo, porque era um tempo de felicidade, onde a vida era vivida intensamente.
Até mesmo a severidade com que éramos tratados por nossos pais, professores e familiares nos traz certa nostalgia, afinal graças a essa maneira de nos criar é que nos tornamos o que somos hoje, o que nos faz muito bem.