Há pouco dias, Suzano se despediu de Heleninha Cunha, uma mulher que soube realizar com talento e inteligência a sua missão de esposa, mãe, professora e voluntária da Santa Casa. Criativa e determinada, parou de ser voluntaria na prestação de seus serviços em prol dos enfermos e de interagir com a direção do hospital, devido à intervenção decretada pelo ex-prefeito Marcelo Cândido. A partir de então, acabou o serviço voluntário e o idealismo dos Irmãos e das Voluntárias, e foram contratados funcionários, elevando as despesas da Santa Casa.
O trabalho de Heleninha e do grupo numeroso das Voluntárias, não consistia em fazer apenas as visitas aos doentes, mas arregaçando as mangas, trabalhavam para arrecadar recursos e comprar o que era necessário para o conforto dos doentes e para um melhor funcionamento do hospital. Até procuraram empresários para que ajudassem na instalação da UTI. O desfile anual das “Bonecas das Flores” chegou a dar um lucro em torno de 25 mil reais. Muito esperada era também a Festa da Genitora, envolvendo os alunos das escolas municipais que torciam pela própria mãe, para que com as contribuições oferecidas pelos parentes e amigos, totalizasse uma bela soma e ganhasse o título de "Genitora do Ano". A Santa Casa de Suzano perdeu o idealismo que levava o Provedor, os membros da Administração e as 40 Voluntárias a se doar e servir sem nada em troca.
Desde o ano de 1986, Dona Heleninha esteve à frente das Voluntárias como Presidente. As mulheres eram professoras, donas de casa, senhoras, moças novas, pessoas motivadas a fazer o bem, expandindo raios de luz no coração dos enfermos. A presença das Voluntárias tornava a Santa Casa mais família, mais humana, mais materna. Na longa caminhada da sua existência, Heleninha dedicou muitos anos ao ensinamento como professora no Raul Brasil e na Escola Paroquial de São Sebastião. Entrou a fazer parte do melhor time de professoras daquela época, cujos nomes a história de Suzano nunca esquecerá: Dona Lola, Luci, Lídia Martins, Maria Elisa, Santina, Taira, Cida Ribeiro, Eunice, Nair e Alice Romanos. Era a época em que os alunos tinham um grande respeito pelos seus mestres e tinham à frente Diretores como o Dr. Celso, o Dr. Clovis Catharino e a Sra. Jussara, mãe da ex Vice-prefeita Dona Viviane, que eram exigentes e ajudavam os alunos a sonhar um futuro promissor, dando-lhes uma boa formação cultural, cívica, moral e religiosa. Dona Heleninha tinha 7 anos quando se deparou com um moço, Nelson Cunha de 10 anos e os dois, você pode crer e eu garanto, se apaixonaram, abrindo os olhos um para o outro como sinceros amigos, sem saber que viria o dia em que se apaixonariam verdadeiramente, abrindo não apenas os olhos mas também os braços e o coração, caminhando juntos por 57 anos. Dona Heleninha amou a família, as filhas, Fátima, Nelsilene e Nelsimeri, os genros, e os seus 8 netos. Amou a Igreja, trabalhando com seu marido em várias pastorais. Amou a sua vocação de professora, amou a Santa Casa não apenas como Voluntária, mas também como um anjo que iluminava o hospital, não permitindo a ninguém tirar vantagem para si próprio às custas dos enfermos. O AVC decidiu a sorte bem sofrida da homenageada nesta minha matéria, deixando-a por 4 anos paralisada. Ela foi uma entre as tantas mulheres, a viver como suzanense de corpo e de alma.