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Colunista

Leituras e Leituras

14 janeiro 2017 - 07h00 Por Gabriely Machado
Leituras e Leituras

suami-cor_Você gosta de ler? Mesmo? Estava conversando com um jovem faz poucos dias que me disse que odiava ler. Lia o que era obrigado, especialmente no curso universitário. Lia para fazer os trabalhos que lhe impunham. Mas jamais sentiu satisfação nisso. E sei que isso é muita verdade. Parece uma situação infeliz, mas é pura realidade. Fiz uma pesquisa, já faz uns anos, sobre os livros lidos por professores de vários níveis escolares. Praticamente todos só liam livros técnicos, que lhes eram uteis no seu serviço. Infelizmente, não tive sorte de encontrar algum que lesse por prazer. Sempre li bastante. Mas isso não me incomodava. Nas escola por onde passei sempre me cobraram muita leitura. E isso, mesmo que fosse tarefa, sempre passou pelo prazer que me causava. Bem antes da Faculdade a leitura já me ajudava. Sentia que me auxiliava a interpretar o mundo. Esse era, sempre foi, um grande interesse meu. O mundo do jeito que nos é lançado, com certeza, tem a possibilidade de outros entendimentos além do que nos parece óbvio. Se as pessoas, todos nós dizemos coisas querendo dizer outras tantas, então o mundo parece o que não é exatamente. Tive meus Autores prediletos em várias áreas, a começar pela Literatura, mas fui seguindo até chegar à Sociologia e à Antropologia. Depois fui passando a priorizar a Filosofia e mesmo a Economia. E após, então, me lancei ao Direito como à Linguística, e fui chegando à Semiótica. Sim, mas com certeza, a Poesia foi se esticando entre uma ou outra temática ou área de conhecimento. Era como se os poemas estivessem se enroscando com as áreas de Ciências, especialmente às Humanas. A curiosidade me pegava, sem dúvida, mais do que outras demandas e vontades. Queria saber um pouco mais sobre tudo. E seguia em frente. Se professores me pediam resumos de leituras eu fazia. Sem maior sofrimento. Mesmo se não tivesse sentido prazer no texto ou mesmo sem gostar. Quando me pediram a leitura de Dom Casmurro, do Machado de Assis, aos onze anos, não sabia que professores também se enganavam. Achei o livro meio chato. Adorava nessa época o tal de José de Alencar. Ele escrevia aventuras. O que é a inadequação, né não? Só bem mais tarde, acho que já entrando no Ensino Médio, é que Machado me caiu novamente às mãos. E foi uma paixão enorme. A verdade é que curto hoje, além do texto-arte, e já curtia bem antes, a leitura de textos científicos bem montados e estruturados. Gosto de textos organizados racionais, lógicos. Porém já peguei filósofos que giravam, giravam sem que a gente conseguisse pegar o entendimento pretendido pelo Autor. Certamente isso também ocorre quando o Autor não tem toda a certeza do que pretende expor. Uma crônica não é um trabalho de lógica. Nem um cálculo matemático. Nem mesmo um jogo de xadrez. Então o Autor pode estar, simplesmente, circulando para nos fazer tentar entender o mundo.