É paradoxal a conclusão de que, quanto mais advogados existem, menos os direitos individuais são respeitados, com o cotidiano abuso do poder pelo Estado.
Mais contraditória é a conclusão: o crescimento exponencial do número de advogados será responsável pelo extermínio das garantias individuais no Brasil.
Contudo, essas conclusões são, apenas, aparentes contradições e derivam, em verdade, de raciocínio lógico.
Houve gigantesco aumento no número de faculdades de direito.
Esse aumento em número não foi acompanhado pela manutenção da qualidade.
Pelo contrário, se transformado em gráfico, o aumento de vagas vai refletir na diminuição da qualidade. Imaginem.
Chegamos ao extremo do diretor que alerta aos seus professores: "não forcem muito nossos alunos, para que não desistam, vocês sabem que a maioria é de péssima qualidade".
Alguém pode pensar que essa triste realidade não contaminará a advocacia, que a doença da mediocridade será isolada no bacharelado, que o exame da OAB nos salvará. Ledo engano.
Também chegamos ao extremo dos professores de cursinho que ensinam com músicas infantis.
O exame beneficia aquele que aprende boas técnicas de memorização, sem o devido prestígio ao raciocínio crítico. Contaminação!
Dessa premissa deriva a conclusão. Apenas os melhores profissionais estão preparados para enfrentar o Estado.
A situação é tão triste que muitos advogados aplaudem as iniciativas públicas para validação de provas ilícitas, tomada de delações premiadas de réus presos preventivamente, tortura de presos e etc. Advogados que se aventuram em defesas criminais e, nos bastidores, se referem aos próprios clientes como marginais.
A intolerância deriva da falta de consciência crítica, que deriva da mediocridade, que deriva da falta de qualidade no ensino.
Quando não é a intolerância é a submissão. As duas causam os mesmos prejuízos. Tantos advogados que não se levantam contra os arbítrios de um juiz, pois, temem pela sua falta de conhecimento frente ao magistrado.