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Colunista

O Parto de Deus

28 janeiro 2017 - 07h00 Por Gabriely Machado
O Parto de Deus

Nuns dias de férias que me dei, estava lendo uns tantos livros que me escolhi. Um deles era exatamente este intitulado “O Parto de Deus”, do meu querido irmãozinho João Anatalino. Temos uma vinculação inseparável, estudamos juntos, por alguns bons anos, conteúdos filosóficos para uma melhor compreensão e postura das relações humanas neste nosso universo. Nossa formação inicial acadêmica e profissional é bem diversa. Voei por áreas de amplas bases, Semiótica, Direito, Gestão Pública. O Anatalino seguiu pelo Direito Tributário e Administração. Mas ambos nos lançamos também escritores, literatos, já há algumas décadas. O fato é que este livro “O Parto de Deus”, como diz seu subtítulo, “A Bíblia em Sonetos”, é uma interpretação do livro sagrado em poesia, num sensível lirismo, como bem destaca o Prefácio de Auro Malaquias dos Santos. Mas segue-se além. Este livro, nesta edição, vem como uma contribuição aberta a APAE (Associação de Pais e Amigos de Excepcionais), de Mogi das Cruzes, que receberá toda a dotação alcançada. Tudo realizado com a visão filantrópica conduzida pelo Lions Clube Mogi das Cruzes-Itapety, de que o Anatalino é um dos fundadores. Lindo exemplo. Porém, entenda-se bem, este livro de poesia, construído no formalismo do soneto, não tem seu maior destaque só na filantropia. É um livro de criação artística inegável. São 120 poemas, sonetos, construídos de forma algo livre, sem rigidez, sobre textos bíblicos, versículos, escolhidos pelo Autor. Anatalino não se prende a uma interpretação exclusiva. Nem se limita a um enfoque estritamente religioso, de uma leitura teológica específica dos textos básicos que escolheu como temática para cada um dos sonetos. Ele alarga-se em interpretações que ultrapassam a restrição do dito no versículo tomado como base, indo a compreensões de outras Ordens, até mais filosóficas que teológicas. Pois o Autor em seus poemas não se restringe a um soneto com métrica estrita. Não se prende a isso, vai a medidas mesmo pouco usuais no soneto, maiores ou bem menores que o Alexandrino. Isso não lhe constrange. No entanto, mantém o modelo do soneto nas suas divisões clássicas, de quatorze versos, compreendidos em quatro estrofes, de dois quartetos e dois tercetos. A temática, portanto foi o guia do Autor, as orientações dos textos formadores, não, especificamente, o formalismo do modelo de poema. Poderíamos mesmo, se pretendêssemos destacar mais rigor, chamar os seus poemas de “quase-sonetos”. Mas não o faço, frente à temática tão especial e o tratamento claramente expresso. Artisticamente, “O Parto de Deus” é um livro cuidado, com passos serenos, no seu percurso. A interpretação do Autor é um direito artístico seu, e ele segue delicadamente, sabendo que uma Luz exibe o caminho por ele escolhido para trilhar. Emocionante.