O "jeitinho brasileiro", que é levado por muitos como uma simples brincadeira, na verdade se confunde com corrupção e transgressão de normas, não só legais, mas também éticas e morais. O cientista social Robson Souza, de MG, comenta que "é como se o Estado não devesse ser levado a sério.
Há um desprezo arraigado pela coisa pública, porque parece que ela não está a serviço da população. Se a coisa pública está servindo a interesses particulares, então o cidadão comum pensa que tem que dar um jeito de 'garantir o seu'.
Outro fator proponderante, é o sentimento de impunidade gerado pela justiça, que gera raciocínio invertido na mente de muitas pessoas no Brasil: "Se ninguém é punido por desvios milionários, não serei eu que vou ser punido por causa dessa pequena transgressão".
A expressão "Lei de Gérson" originou-se em 1976, em virtude de propaganda de cigarros estrelada pelo tri campeão mundial, que dizia a seguinte frase: "Por que pagar mais caro se o Vila me dá tudo aquilo que eu quero de um bom cigarro? Gosto de levar vantagem em tudo, certo? Leve vantagem você também, leve Vila Rica!".
Esse pensamento malandro acabou sendo usado para exprimir traços bastante característicos e pouco lisonjeiros do caráter nacional, associados à cultura da corrupção e ao desrespeito a regras de convívio para a obtenção de vantagens.
Em muitas situações do cotidiano, o criminoso, de alguma forma, é tido como "esperto", e, lamentavelmente, esse tipo de comportamento acaba sendo modelado.