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Colunista

O governo precisa gastar

08 fevereiro 2017 - 07h00 Por Gabriely Machado
O governo precisa gastar

75A economia doméstica ou familiar é muito diferente da economia macroeconomia. Em tempos de crise, em casa, ajusta-se a despesa (consumo) às receitas (renda) auferidas ao longo do mês por meio de salários, benefícios, aluguéis, dentre outros. A macroeconomia funciona de forma absolutamente diversa. Em tempos de crise, se há redução do consumo, de salários, investimentos e gastos do governo, cria-se um ciclo vicioso em que as vendas diminuem e o desemprego aumenta. O economista John Maynard Keynes, já em 1936, havia declarado que "os principais defeitos de nossa sociedade são sua incapacidade de oferecer emprego e sua distribuição injusta da riqueza e da renda". Keynes indica que esses dois defeitos são faces da mesma moeda, dado que "os economistas há muito reconheceram uma conexão entre desemprego e má-distribuição do poder de compra". Paul Krugman, prêmio Nobel de Economia, escreveu em 2008, no auge da crise econômica mundial, que naquele momento "um aumento nos gastos do governo é exatamente o que o médico receitou e a preocupação com o déficit orçamentário deve ser adiada". O autor mostra que naquele momento as vendas no varejo e a produção industrial haviam despencado, o número de desempregados estava em patamar associado a recessões graves e o índice de manufaturados estava caindo (OESP, 18/10/2008). Ao invés de austeridade fiscal, Krugman indica medidas para aumentar o nível de emprego e o poder de compra dos indivíduos, e sugere: 1)    redução das taxas de juros (ainda que essa medida seja insuficiente). Essa sugestão é insuficiente porque há, por parte dos investidores no setor produtivo, necessidade de esperar a consistência da referida tendência em reduzir as taxas de juros; 2)    benefícios mais extensos aos desempregados, o que poria dinheiro nas mãos de famílias necessitadas propensas a gastar os referidos recursos em vez de retê-los na forma de poupança; 3)    auxílio do governo federal aos governos estaduais e locais para que não sejam obrigados a realizar grandes cortes de gastos, com geração de maior desemprego, redução do efeito multiplicador da renda e degradação dos serviços públicos; 4)    finalmente, o autor sugere que o governo compre hipotecas das famílias endividadas com a compra da casa própria de tal forma a colaborar com a reestruturação dos termos das dívidas familiares e a ajudar as famílias a permanecerem em suas casas. Li, nos últimos dias, que o Programa Bolsa Família (OESP, 05/02/2017), as aposentadorias e os benefícios sociais têm contribuído intensamente para a dinamização da economia em municípios no interior do Brasil. Assim, aumentar o salário mínimo, os gastos do governo em benefícios sociais e políticas públicas tem sido preceitos formidáveis contra a recessão e o desemprego. A história tem mostrado repetidamente, em tempos e espaços diferentes, que, em termos macroeconômicos, o governo precisa gastar!