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Colunista

Poder Feminino

11 março 2017 - 08h00 Por Gabriely Machado
Poder Feminino

Fiquei pensando nas coisas lá de trás, do tempo de minha juventude. Sempre tive um certo encanto por mulher. Acho que sempre fui um seduzido. A mulher me envolve. Ela sempre foi, e será, minha poesia. Muitas vezes liam como se o meu poema dissesse que eu me dirigia às mulheres, a uma ou a todas as mulheres. E/ou, tantas vezes, tentava dialogar com os versos. Mesmo sabendo que a poesia, por vezes, podia me abandonar. Como umas mulheres me fizeram. Nunca deixei de saber, como intitulei um poema meu, de “Poder Feminino” ou, como também o disse, “Ser Mulher Sempre”. Nesse poema, simples, resumia: “o poder da mulher é/ ser o poder ser/ sempre/ aquele ser permanente/ que falta/ consente/ nega e afirma/ o que sente/ e mente/ sobre o que nem sente/ deveras/ ser que pode/ ser querendo/ tempo e rio/ ou não ser/ rua e vento/ vivendo/ agora e nunca/ o poder/ da mente/ mãos e olhos/ e coração/ poder de força/ sedução/ como quem chega/ quem vai/ não vem/ e nunca se esvai”. Como não reconhecer, a mulher é poesia. Ou por outra, o poema não é outro senão a mulher. A Vida nossa são recortes. Assim também chamei um poema, “Recortes”, em que, com certeza, teria voado por sobre a imaginação. Será que a imaginação é real? E por que não seria? Senti que a mulher, ou a poesia, ou ambas, nos envolvem amplamente. E será que as palavras seguem além, muito além delas mesmo? Digam vocês? “bela é a tarde/ na claridade em que você me chega/ estonteante em sua dança de brisa/ estes seus concêntricos recortes/ são vãs silhuetas são reflexos/ à luz dessa lua inexistente// quieta/ só respire/ não se mexa// deixe-me encantar/ a janela alumia/ transpassa-lhe o vestido/ meu sonho viaja além do vento/ ventre coxas pubescência/ vestígios das intangíveis colinas suas/ debruçadas serras/ colo sobre meu mar de anseios/ que mudo aspira chegar um dia/ recurvas ilusórias montanhas/ escarpas de poesia/ fronteiras desse pulsante oceano/ que as costas me banha/ criadas entre continentes desejos/ e paisagens de angustias minhas// não se afaste/ fique aí/ tranquila// imagino que sente/ meus inertes dedos/ oníricos perdidos dedos/ que acarinham silentes/ suas sinuosidades interditas/ imaginarias dunas onde deito/estas mãos esquecidas no caminho/ a ver o seu passar lânguido/ sedutoramente envolvente/ como intocáveis algas marinhas// estes seus não são seios/ volutas intumescentes/ lentas aos seu doce respiro/ são minhas ânsias arfantes/ meus solitários descaminhos// peço mais um chope/ para saber compartilhar você/ com tantos outros olhares pela rua/ daquele mar de encantos/ nem sei mesmo se existe/ tão doce é imaginar// o sonho é sempre e tanto/ alimento doce da luz/ calor imaginário das mãos/ perfume que a boca nem sempre traduz”. Sei que a mulher é tão real quanto a poesia.