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Colunista

Companheirismo

14 março 2017 - 08h00 Por Gabriely Machado
Companheirismo

Existem muitas maneiras do machismo se manifestar numa relação, onde a mulher sempre vai acabar se sentindo inferiorizada, menosprezada e infeliz, sem, contudo, sofrer qualquer violência física, sem ser agredida e machucada. É muito comum vermos a violência atingir os casais pela sua forma mais bruta, que é a agressão física, seja por bater na companheira, agredi-la fisicamente com palavrões e safanões sempre injustificados (até porque não podemos aceitar a violência de maneira nenhuma em nenhum tipo de relação) e, essa é a maneira mais expressiva de violência. Existem casos, que já temerosos de violarem a Lei Maria da Penha, homens chutam móveis, portas, arruínam objetos que certamente terá que repor, mas acreditam que assim, não atingindo a mulher, a esposa, a companheira, os filhos, vai-se por fora dos olhos da lei e não poderá ser punido. Esse tipo de violência é tão perigoso quanto qualquer outro e o amparo da lei é necessário para proteger a família que convive com uma pessoa agressiva, mas que esconde essa agressividade atingindo objetos, como se nunca fosse possível que um dia venha atingir um familiar ou a companheira. Essa pessoa que desvia o foco para atingir coisas, que aparentemente contem seu ímpeto violento, é perigosa e, num momento em que essa agressividade extrapola pode até matar, por não poder mais conter a raiva que veio acumulando e disfarçando por longo tempo. Neste mês de março em que mais uma vez comemoramos uma data em que todos procuramos enaltecer a mulher e, principalmente mostrar o quanto ainda encontram-se indefesas e vítimas em seus próprios lares das pessoas que acreditam amar e que as subjugam e maltratam é também o momento de mostrarmos que existem outros modos de violência e procurar clarear o olhar delas para que saiam desse jugo disfarçado. Muitas mulheres trabalham fora para ajudar na manutenção da família, saem cedo de seus lares, tal e qual seus companheiros, e ainda são responsáveis pela limpeza da casa, que incluem tarefas pesadas, pois, a faxina nunca é um serviço leve e não contam com a ajuda dos companheiros sequer para mudar os móveis de lugar porque esse é um trabalho de mulher. São mães e acompanham seus filhos nas tarefas escolares e, até mesmo perdem dias de trabalho para as reuniões escolares terem sua presença. Ao chegarem aos seus lares após o trabalho sequer tem tempo para descansar as pernas e trocar os sapatos pelos chinelos... Correm para o fogão e preparam o jantar da família e, mesmo que o companheiro já tenha chegado do trabalho, está lá estirado no sofá, assistindo as notícias, afinal precisa se manter atualizado e, não se propõe a auxiliar em nada, nem mesmo conversar enquanto ajuda colocando a mesa ou lavando uma verdura, Certamente toda colaboração seria bem vinda, mas ele está lá no seu merecido repouso enquanto ela "cumpre suas funções no casamento", pois, foi ensinado assim por um antigo código familiar, onde ao homem cabe manter a casa e o restante é responsabilidade da mulher, esse ensinamento, infelizmente veio sempre de uma mulher que o criou, sem se preocupar em ensinar que companheirismo não é só nos momentos de folga. Essa mentalidade deve ser mudada, para que em breve tenhamos homens e mulheres parceiros nas lutas e nos afazeres, sem cultivar violência de nenhum tipo.