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Colunista

Doação de órgãos

21 março 2017 - 08h00 Por Gabriely Machado
Doação de órgãos

Eu acredito que devíamos ser mais conscientes quanto à doação de órgãos, afinal depois de nossa partida nenhum deles nos fará falta, mas, certamente poderá ser útil para alguém que ainda tem pela frente uma caminhada que está difícil por conta de problemas de saúde. É lógico que a morte de alguém que muito amamos é sempre difícil entender e até aceitar plenamente, pois, a falta que iremos sentir será muito grande, entretanto, entendo que a certeza que alguma parte desse ser tão querido sobreviveu à morte e ainda salvou a vida de alguém deve nos dar certa felicidade. Não há descaracterização da pessoa na retirada de órgãos para doação e tudo é feito com muito carinho e respeito, pois, aquele ser inerte é a ponte para a salvação de uma vida que passa por dores e sofrimentos que serão aliviados com o recebimento de um órgão saudável. Mesmo assim sabemos que quase metade das famílias se nega a doar órgãos de seus familiares, por preconceito, por desconhecimento, por desinformação e até mesmo por falta de amor ao próximo, como sentimos na frase "eu não tenho nada a ver com os filhos das outras mães" pronunciada por uma mulher que se recusou a doar os órgãos de sua filha que acabara de falecer, quando da solicitação feita pela equipe da Organização de Procura de Órgãos do Hospital das Clínicas de São Paulo. Eles com certeza convivem com recusas e respostas como essa cotidianamente, afinal todos os dias falecem pessoas pelos mais diversos motivos e muitas poderiam ter seus órgãos doados e implantados em outras pessoas que seriam gratas por toda a vida por esse benefício maravilhoso, que como milagre lhes devolveu a esperança de viver melhor. São muitas as pessoas que se encontram nas filas de espera por um órgão doado, que seja compatível para renovar suas esperanças de sobrevivência. Muitas nessa fila perderam a vida sem, contudo, perder a esperança. São atualmente 34.543 pessoas que aguardam esperançosas por uma doação de órgãos, a maioria espera por um transplante de rim, seguidos pelos que aguardam uma córnea que possa lhes devolver a visão, outros 1.331 aguardam pelo transplante de fígado, existem os que esperam pelo transplante duplo de rim e pâncreas, 282 aguardam por um coração que volte a bater com normalidade no peito para que possam voltar às suas atividades. Outros 172 acreditam que logo vão receber a doação de pulmões que os livrarão daqueles fios que os ligam aos botijões de gás que são obrigados a carregar para todos os lados ou que muitas vezes sequer permitem que sejam mantidos fora de um hospital. Infelizmente muitos vivem nesse fila de espera, mas são esquecidos por aqueles que poderiam amenizar seu sofrimento com a simples anuência para a retirada dos órgãos passíveis de serem doados. Para onde somos levados após o cumprimento de nossa jornada nesta Terra não precisamos de nenhuma parte de nossos corpos que são enterrados ou cremados, então todos poderíamos nos conscientizar que quando doamos os órgãos desses nossos entes queridos estamos prolongando a vida de uma maneira singela e caridosa.