Pra quem não acredita, coloquei lá no meu Facebook a foto.
A andorinha olhava para mim como se interrogativa. Ela e umas outras tantas voavam na altura da minha sacada. Sempre apressadas davam seus voos rasantes. Duas delas pousaram na murada da sacada. Sai para olhar. Queria ver de perto aquele fenômeno. Uma delas escapou ao me ver passar. A outra voltou e parou ali. Ela me viu. Como se me olhasse. E nada. Não dava sinal de temer-me. Peguei o celular, preparei a câmera, e fui tirando umas tantas fotos. Coloquei no Face.
Espera aí! Que dia é hoje? O quê? 20 de março? Mas é o início do Outono.
E a tal da tradição? elas não surgem isoladas: “Uma andorinha não faz Verão”.
O Verão acabou, gente! Essas andorinhas será que se perderam?
O fenômeno será do El Niño? ou será que bagunçou tudo? Revoada de andorinhas para chamar a atenção sobre o Outono que está chegando?
De há muito que sabemos que Suzano é rota de muitas aves, especialmente.
Como se seguissem o Rio Tietê até a cidade de São Paulo. Depois seguindo para o Sul. Com amigos, biólogos e não, já avistei pássaros e outros bichos de passagem por aqui. Até falcões caçando pombos na praça central.
As andorinhas são símbolos pelo mundo. Significam a esperança, a fertilidade, o aquecimento, a chegada. Elas antecedem o Verão, indicando que logo chega a estação mais quente e de mais luz.
E o Outono? Como brilha o Outono?
Seria, como sempre foi pelos tempos afora, a estação das frutas que nos surgem deliciosas.
Outono muitas vezes é visto como um tempo que traz a tristeza. Pela vermelhidão das flores. Pela sua queda final. Traria algo como o significado do desapego.
Vivenciei um tanto disso por anos. Vivia na Europa numa avenida arborizada de plátanos.
Florescentes no seu verdor na Primavera, se alongando consolidado pelo Verão, no amarelamento, envermelhamento das folhas no Outono e queda total das folhas nos galhos a ficarem descascados, secos, cinzas pelo Inverno. Identificando os tempos vividos.
No Brasil é diverso. Não posso esquecer dos ipês, a florescerem de então a uns meses a mais, pelo Inverno, aqui, amarelecendo por toda a minha rua, onde vivo hoje. Lindos!
Vejo muita gente chateada com o nosso País.
Mas pensem bem, se estão aparecendo casos feios é porque eles já existiam pela nossa história. E denunciados, alertam aos sem caráter para seus possíveis destinos adiante. Isso leva seu tempo.
Contudo, não seria um sinal das andorinhas de que podemos estar no caminho de um destino bom?
Em que nós, brasileiros, podemos demonstrar que somos capazes de fazer melhor?
Que nós todos por aqui, em nossa terra, possamos colher frutos mais tenros e saborosos.
As andorinhas estão indo a se recolherem. Esperemos. Elas voltarão, alegres.