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Colunista

Nerival Rodrigues

22 abril 2017 - 08h00 Por Gabriely Machado
Nerival Rodrigues

Somos amigos, Nerival, esse pernambucano, de Garanhuns, e eu há muitos anos, umas décadas. Ele ainda morava em Suzano, agora reside em Mogi das Cruzes. E sempre teve aquele jeito meio apressadinho em tudo o que faz. Mas sempre foi um empreendedor, sempre cheio de muitas ideias, cheio de vontades... Nerival sempre, igualmente, foi e é um dos nossos grandes artista plástico. Tenho quadro seu há muitos anos. No seu estilo de Arte Naif ele construiu uma obra imensa e de qualidade. Talvez seja interessante que a gente retome aqui mesmo um tanto da origem de sua manifestação. A expressão “naif” é de origem francesa, significando Ingênuo ou inocente. Os elementos de sua criatividade são fundados na maior simplicidade dos elementos que se expressam com certa pureza no seu colorido. A pintura do Nerival é simpática, agradável, aproxima as pessoas e combina com artes plásticas de muitos outros gêneros, sejam contemporâneas, avançadas, ou sejam clássicas em suas formas de expressão. Pois a expressão do trabalho artístico do Nerival traz as suas principais características na sua própria forma, como na sua origem lá pelo século XIX, com Henri Rousseau (1844-1910), como, por exemplo, a ausência de perspectiva, ao se mostrar bidimensional; suas cores que são mais impactantes; tem uma certa manifestação como que algo espontânea no seu expor as figuras; sua temática é mais para o alegre; expressando também, de uma forma algo simétrica, a natureza. Confirma aquilo que alguns teóricos reconheceram como uma “arte livre de convenções”, em sua manifestação de liberdade estética. Na verdade, o Nerival, depois de iniciar sua pintura, preocupou-se em estudar, em saber mais da sua Arte. Ainda assim, manteve sua forma de expressão como que espontânea. O Nerival é um artista plástico que sabe o que faz. Não chegaria a afirmar aquilo que uns estudiosos costumam bater, que os artistas ditos “acadêmicos” (aqueles que estudaram, que tiveram formação técnica sobre seu fazer) trabalham com o cérebro. Esses mesmos críticos afirmam que aqueles que se expressam pela dita Arte Naíf, pintariam com a alma. Essa talvez seja uma forma rigorosa de dizer. Não creio valer para o trabalho do Nerival. Ele usa bem o cérebro quanto a alma, sua sensibilização, ao expressar-se em seus quadros. Sua mais recente exposição, “Mulheres Notáveis”, está se encerrando, lá no Paço Municipal de Mogi das Cruzes. Ainda vai dar uma boa circulada, indo mesmo para Brasília. Que tenha muito sucesso, gostei muito do que vi, especialmente ao retratar umas tantas amigas muito queridas. O reconhecimento do trabalho do Nerival se confirma bem além das fronteiras do Alto Tietê. Que por aqui ele já é um imortal da Academia Mogicruzense de História, Artes e Letras. Tem o nosso respeito e admiração.