O 1º de Maio é o Dia do Trabalhador. Na verdade temos pouco a comemorar, pois há muita gente desempregada, pedindo, gemendo e clamando por justiça e para o fim da corrupção e da impunidade. As reformas nem sempre vão ao encontro dos anseios da sociedade, do povo, dos trabalhadores e dos aposentados.
Modernizar a Reforma Trabalhista e da Previdência poderá dar frutos amargos e provocar lágrimas e frustrações. Quando as reformas chegam de surpresa, sem ter dado ao povo condições de se manifestar, com certeza gritos se levantarão saindo da boca da senhora liberdade, conquistada pelo povo.
Que ânsia! Que desespero! Que dor!
Não existe nada mais desastroso para uma família, do que contar com um salário e com uma aposentadoria em forma apenas de pão e chocolate e com os poucos recursos que sobram. Por isso mesmo, o aumento do salário torna-se uma necessidade. Todos sabemos da importância de um emprego bem retribuído que permita a sobrevivência das pessoas. Há desempregados que voltam para casa sem fôlego por muito andar em busca de um serviço. Isso não é novidade nenhuma, ocorre quase todos os dias e em todas as cidades, quem não trabalha fica entre a cruz e a espada.
Não há dúvida, porém, que para trabalhar, precisa ter competência, qualificação e saber lidar com as novas tecnologias. Pois, quem pensa em ganhar dinheiro sem ter estudo, profissionalização e qualificação nas áreas onde pretende trabalhar, está enganado.
Muitos, movidos pelo sonho de melhorar de vida, ganhar independência financeira e poder ajudar a família, aceitam também o trabalho escravo no campo, nas confecções, nas construções ou na prostituição. Em termos de cidadania, os desempregados são pessoas em situação de vulnerabilidade, que entre as outras coisas, após muitas tentativas na busca de um serviço, caem no alcoolismo ou no uso de drogas e tornam-se presas fáceis de pessoas que buscam violar a sua dignidade através da exploração a qualquer custo.
Suzano não consegue cobrir a demanda de tantos cidadãos que querem trabalhar na cidade e grande parte dos trabalhadores acaba tendo que trabalhar fora.
São milhares, os trabalhadores que invadem a estação desde as primeiras horas do dia, a maioria são jovens, tão numerosos a ponto de congestionar a estação e o caminho que os leva até lá. É impressionante viajar de trem de Suzano até São Paulo e vice-versa, nos horários de pique as portas dos trens são literalmente invadidas e tomadas de forma quase desumana, bem presas e pisadas.
A população continua lutando, arrisca tudo, para poder trabalhar e não ficar ociosa nas praças, nas ruas ou nas casas. Chega aos limites de sua resistência, de suas forças e de sua segurança para não perder o seu trabalho.
Há outros trabalhadores, porém, que no serviço ficam de braços cruzados, quase sem fazer nada, apenas acompanham o tique taque do relógio esperando a hora de bater o cartão e sair depressa. Há outros que se tornam funcionários fantasmas, seus roubos acabam destruindo a sua dignidade e a obrigação moral de seus deveres.
Em pleno alvorecer da democracia brasileira, o pais necessita de mais consertos em todos os níveis: social, político e cultural. As eleições estão chegando e sobre o pó da corrupção o povo possa decidir novos rumos para a Terra de Santa Cruz.