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Colunista

Constelação familiar

16 maio 2017 - 08h00 Por Gabriely Machado
Constelação familiar

Milito na área de família há muitos anos, sou apaixonada pelas dificuldades que encontro como profissional, pois, elas me fazem buscar o aperfeiçoamento constante para poder minimizar os problemas que são criados no âmago da família e acabam encontrando solução nos escritórios dos advogados ou nas salas de audiência. Às vezes, uma palavra mal colocada pode acabar com uma relação, pois, pode ter sido dita num mau momento e magoar profundamente quem a ouviu... Existem casos de separação que quando uma das partes nos procura, percebemos que ainda existe amor no relacionamento, mas que por orgulho ferido, mágoa contida, agressões verbais esse amor se recolheu, ficou guardado lá no íntimo do ser humano que ali está. Normalmente acreditam que se demonstrarem que ainda amam o companheiro serão vítimas fáceis de chantagens emocionais ou se perderão na contenda que estão iniciando. Por alguns anos fui conciliadora em audiências da vara cível, onde pela minha opção pela área de família, na maioria das vezes todas as audiências envolviam a família e seus conflitos peculiares. Muitos casais entram acompanhados de seus advogados e não conseguem sequer olhar para aqueles que um dia dividiram a vida e geraram filhos, fruto do amor que os uniu. Nesses momentos não podia deixar passar a oportunidade de tentar reascender a chama desse amor que um dia existiu... Então buscava trazer à tona as lembranças comuns aos recém-casados, enamorados e cheios de planos, para então adentrar ao processo em si, com menos dor, menos raiva e um pouco mais de entendimento. Muitas vezes consegui essa conciliação ainda no escritório, nas conversas onde me colocava mais como amiga do consulente, do que a profissional que iria dar andamento a disputa judicial e assim, muitas vezes uma separação deixava de acontecer porque alguém de fora do ambiente ouvia com atenção e mostrava onde estava o cerne do problema. Agora vejo na televisão a constelação familiar, onde a encenação do drama vivido por um casal é revivida por estranhos... Quando vemos a situação que vivenciamos, sendo mostrada com clareza por atores, muitas vezes conseguimos olhar para o problema que nos aflige de maneira mais racional, deixando a ira e o descontrole não mais atormente o relacionamento. Nos humanizamos com o companheiro ou companheira e conseguimos encontrar a paz necessária para resolver a situação de maneira pacífica e superar o conflito que existia. Atualmente qualquer pequeno desgaste numa relação pode ser motivo de discórdia e separação, então os casamentos não duram muito tempo. As pessoas acreditam que o divórcio lhes dará a condição de solteiro e poderão recomeçar a vida com outras perspectivas. O divórcio somente separa o casal, não devolve a condição de solteiro e muitas vezes dessa relação, mesmo que de curta duração, resultou filhos, que deverão conviver com esses pais, que agora se consideram livres, mas que manterão para o resto de suas vidas um elo indissolúvel, afinal pai e mãe são condições inseparáveis e por conta disso terão que aprender a viver como amigos, procurando sempre o entendimento, a paciência e a compreensão que se usados quando da convivência debaixo do mesmo teto, teria evitado a separação.