A fome aumenta no mundo, apesar da ampliação da capacidade produtiva na agricultura. Por outro lado, aumenta a população obesa. Não é por menos que os programas de políticas públicas de alimentação por um lado procuram aplacar a situação de carência alimentar e por outro buscam praticar a educação alimentar.
De acordo com a Organização Mundial de Saúde (OMS), o mundo tem engordado. No Brasil, 52% da população adulta está acima do peso, sendo que 35% estão com sobrepeso e 17% estão obesos. A situação é vista como epidêmica.
O grau de obesidade é medido pelo Índice de Massa Corpórea, obtido pela divisão do peso pela altura ao quadrado (IMC = peso ÷ (altura x altura)). Um indivíduo com 1,83m e 76Kg (IMC = 76 ÷ (1,83 x 1,83)) tem IMC = 22,7 Kg/m². Segundo a OMS, IMC abaixo de 18,5 é desnutrição; entre 18,5 e 24,9 é saudável; entre 25 e 29,9 é excesso de peso; 30 em diante é obesidade.
Independentemente das tendências individuais para com sua alimentação, é fundamental combater as cadeias de fast-food, os alimentos processados e superprocessados, os refrigerantes, e regular, por meio de Leis, as cantinas escolares e as propagandas de TV que induzem crianças à comilança.
A Organização Mundial da Saúde (OMS), atenta à epidemia mundial de obesidade, recomenda que os governos formulem e atualizem periodicamente diretrizes nacionais sobre alimentação e nutrição. Em consonância com a recomendação da OMS, o Ministério da Saúde desencadeou, em 2011, um processo de elaboração do "Guia Alimentar para a População Brasileira", publicado com 158 páginas e sintetizado pelo Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor (IDEC) na cartilha "10 passos para uma alimentação saudável".
Acredito que, grosso modo, as recomendações são aquelas que vemos nos hábitos e na mesa caipira:
1. Comer alimentos in natura ou minimamente processados, como castanhas, farinhas, frutas, grãos, legumes, leite, ovos, raízes, tubérculos e verduras. Nessa medida, diminuir o consumo de alimentos processados (conservas, compotas, pães e queijos) e eliminar o consumo de alimentos superprocessados (biscoitos recheados, salgadinhos, refrigerante, dentre outros);
2. Usar de forma moderada óleos, gorduras, sal e açúcar;
3. Comer com regularidade, em ambiente agradável e de preferência acompanhado. As pequenas refeições, ou seja, as refeições no meio da manhã e no meio da tarde são as que mais atraem os alimentos superprocessados. Neste caso, é importante substituir os referidos superprocessados por frutas e castanhas;
4. Desenvolver o gosto pela culinária. Cozinhar exige uma série de mudanças de hábitos, além de dispêndio de tempo tanto para a compra dos ingredientes quanto para o seu preparo.
Se por um lado falta política pública para estimular a produção do alimento saudável, reduzir o preço e garantir o acesso a produtos orgânicos e regular o excesso de publicidade do alimento superprocessado; do outro lado, falta uma reflexão minuciosa sobre o ritmo acelerado, alucinante, frenético dos tempos modernos, e de nossas negligências com relação à contemplação, ao bom sono, à alimentação saudável e à presença dos amigos.
Que a educação alimentar seja uma porta de entrada que permita tais reflexões.