Brasileiros descobrem Portugal, para redescobrirem o Brasil. Vejam só, sempre entendi que o Brasil precisa é de gente preparada para as mais diversas situações. Temos muitas possibilidades nas relações externas. Mas isso não pode ser uma coisa só para uma elite endinheirada. Tem de haver mais preparação para o cidadão brasileiro de modo geral.
Não vou aqui só reclamar dos motoristas e dos pedestres que não respeitam-se nem às leis de trânsito.
Mas, melhor formação ajudaria. Não vou reclamar aqui dos políticos, se temos em nós tantas falhas, escolher terceiros só poderia dar no que dá. Mas temos de descobrir que somos o melhor país do mundo e nem sabemos.
E podemos fazer nossas regras serem boas para todos e respeitadas por nós mesmos.
Somos um dos países mais caros do mundo, nosso serviço público é, tendenciosamente, mal administrado e o retorno a nossa população é extremamente precário. Temos de nos tornarmos melhores.
E podemos. Vejam os nossos jovens que Portugal, dentro da União Europeia, que é um país mais barato do que muitos lugares do Brasil, aceita as notas do Exame Nacional do Ensino Médio, o ENEM, como meio de seleção para ingresso em suas universidades. Aliás, a partir de 2014, a primeira, foi a Universidade de Coimbra, uma das mais antigas e respeitadas do mundo.
As taxas anuais de custeio dos estudos em Portugal não são caras, vão de 3 mil a 6 mil euros (no máximo 22 mil reais por ano). Mas os brasileiros, como todos os alunos da Comunidade de Países de Língua Portuguesa (Angola, Moçambique etc) podem ter redução de até 50% desses custos. E, pelo menos 22 universidades portuguesas aceitam o ENEM. E quem não o fez pode fazer vestibular no sistema de lá.
E isso está sendo rapidamente reconhecido pelos brasileiros.
Observe-se que hoje temos 10.291 estudantes brasileiros nas universidades portuguesas. Esse número equivale a 28,43% dentre todos os 36.000 estudantes estrangeiros em Portugal. E se compararmos esses números com os de 2010/2011, representam um aumento de 90% entre os brasileiros lá chegados.
É importante também saber que a revalidação dos diplomas estrangeiros no Brasil, conforme determina o MEC, deve ser feito por universidades públicas. Em São Paulo, muito disso tudo passa pela USP.
Quem analisa a equivalência dos estudos é a universidade brasileira, que cobra uma taxa administrativa e tem seis meses para emitir sua manifestação, de validação ou de pedir complementação.
Com tudo isso, sei que temos hoje cerca de dois milhões de brasileiros residindo no Exterior. Será que voltam? Com o envelhecimento da nossa população isso tudo pode provocar algo estranho por aqui.
Há muitos anos, vi a população de Portugal envelhecida, o que só diminuiu com a volta dos nacionais ao fim da Ditadura Salazarista. Podemos refletir sobre o que queremos.