Alguém me disse que essa semana se comemorou o Dia do Amigo. Sei lá, sem querer redundância, aprendi na santa vida que todo dia é dia de amigo. Você já parou pra pensar nesses amigos que você conserva até hoje? Já tentou contar? Onde andam? Por perto ainda? Você tem acesso a eles?
Também tenho lá os meus queridos amigos mais recentes, gente que foi chegando, foi ficando e, com o tempo se somando, adquiriu aquilo que chamamos de confiança. E o tempo também, sem que a gente se aperceba vai se escorrendo a nossa frente e, ao nos damos conta ficou lá para trás.
E alguns amigos se afastaram, ou nos afastamos. Alguns desses até sabemos que se os reencontrarmos eles estarão, como antes sempre estiveram, a postos, para o que der e vier, para o que precisarmos. Mas, verdade também seja dita, alguns de nós, uns poucos dentre nós, temos aqueles amigos mais antiguinhos, lá das épocas de nossa juventude. E, sei lá, alguns de nós conseguimos manter até mesmo uns tantos lá da nossa infância.
Um parceiro estava chateado dia desses com um amigo que lhe disse umas coisas desagradáveis. Perguntei-lhe se chegaram a discutir. Sim, respondeu-me, discutiram muito.
Afastaram-se tristes, os dois, um pra cada lado. Perguntei-lhe ainda se podiam tentar um reencontro para resolver o mal-entendido? Disse-me que ia ver. Ontem nos encontramos e lhe perguntei sobre o caso. Ah, tudo resolvido!
Foi assim que me disse. Aquilo ficou lá em mim. As coisas entre amigos são capazes de se superarem desse modo, rápido. Ainda que sempre que nos desentendemos com amigo dói o seu tanto lá por dentro da gente.
Nunca tentei mudar um amigo. O jeito dele é o jeito dele. Sei que com o passar do tempo alguns vão seguindo os caminhos das depressões. Nem sei se isso tem a ver com a idade. Sei de amigos que padecem de dores físicas. E sei que isso tem a ver, sim, com o tempo de passeio pelas beiradas da vida. Sabe-se lá quanto nós já aprontamos sem atentar para os jeitos, meio mal, meio perverso até, com o nosso próprio corpo? Enfim, cada um tem de se cuidar um pouco, ao menos.
Já, já perdi amigos. É muito triste. É como um corte. Um pedaço a menos. Faz falta. Às vezes lembramos de coisas alegres vividas. E, sem querer nos damos conta da ausência. Chato. Incomoda.
Um amigo é um irmão que escolhemos. Mas, se pensarmos bem, nem sempre, ou nunca, somos nós que escolhemos.
É gente especial, que vai ficando ali do nosso lado. E nos habituamos. E um certo dia, se ele não estiver mais junto, vai fazer uma enorme falta.
Numa conversa com um amigo antigo, ele, numa brincadeira me disse, “já vou avisando, amigo, meu querido, trate de arrumar um jeito, se alguém tiver que partir às pressas que seja eu.
Você fica aí do lado”. Um dia me apercebi que eu tinha ficado. Ficado com ele aqui, “do lado esquerdo do peito”...