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Jornal Diário de Suzano - 23/01/2022
COLUNA

Eduardo Caldas

Foi candidato a prefeito em Suzano em 2004. É professor de Gestão Políticas Públicas na USP

Onda de Frio

12 AGO 2021 - 05h00

Com a onda de frio que assolou parte do país no final de julho e início de agosto, muitos governos e organizações da sociedade civil se organizaram para minimizar o sofrimento dos moradores em situação de rua. As ações governamentais constituíram-se em gesto de solidariedade e ao mesmo tempo em preocupação emergencial e circunstanciada.
No caso de Suzano, o anúncio que circulou pelas redes sociais indicava que o acolhimento emergencial ocorreria no "antigo Restaurante Popular", demonstrando que no presente o espaço já não mais servia refeições a baixo custo para parte significativa dos próprios moradores em situação de rua. Cabe refletir, portanto, o quanto a acolhida emergencial é importante mas absolutamente insuficiente frente a muitas necessidades tanto dos moradores em situação de rua quanto de outros grupos sociais específicos.
Ainda sobre o "antigo Restaurante Popular" anunciado como abrigo emergencial, vale a lembrança de que aquele lugar da antiga Sociedade Vinícola Suzanense - Sovis - foi completamente requalificado e sua arquitetura foi preservada como espaço de memória da cidade, para sediar o referido Restaurante Popular, atualmente desmontado, esquecido, abandonado, desprezado pelo Poder Público municipal.
Então, o anúncio de um gesto emergencial demonstrou uma possível solidariedade do Poder Público para com os moradores em situação de rua, mas revelou também um certo descuido e talvez desprezo pela política de segurança alimentar e pela política de memória do município.
O gesto de acolhida dos moradores em situação de rua, entretanto, me foi útil para relembrar de outras políticas de acolhimento. 
Nos anos 80, tanto o governo Montoro quanto o governo Quércia abriam as escolas estaduais nos finais de semana para servir merenda (alimentação escolar) como reconhecimento de que os escolares precisavam alimentar-se também aos finais de semana.
Tratava-se de uma certa sensibilidade social permanente e não apenas emergencial. Que os espaços públicos cumpram funções permanentes. Que o emergencial seja apenas uma oportunidade para aumentar a sensibilidade do governo seja para a segurança alimentar geral seja para a acolhida dos moradores em situação de rua.
Aliás, as escolas seriam espaços bem interessantes para a acolhida emergencial, com banheiro, chuveiro, cozinha e salas para fazer quartos.
Assim, pois, que a experiência do passado e a emergência do presente colaborem para a produção de uma estratégia de ação para assegurar maior dignidade para a população em situação de rua.

 

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