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Jornal Diário de Suzano - 29/01/2026
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Coluna

Sementes teimosas de esperança

29 janeiro 2026 - 05h00

O Brasil continua politicamente polarizado. Essa situação torna o debate político estéril, as conversas tornam-se raivosas e o comportamento individual é semelhante à torcida de futebol. Em seguida, minam-se as esperanças em discutir o município e o país. Os grupos políticos que representam alguma ideia e disputam eleições não encontram ressonância para discutir suas propostas. A política reduz-se a um jogo de imagens, com algumas palavras de ordem e sem conteúdo. Essa situação torna-se ainda mais intensa no campo das redes sociais. Amizades e famílias esboroam-se.
Sem desprezar a importância das redes sociais, ano passado, Luíza Erundina reuniu centenas de pessoas na Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP) para lançar um manifesto propondo a formação das sementes de esperança do qual fui signatário. Fui signatário dessa proposta.
Trata-se da criação de "uma rede de núcleos de base autônomos, auto-organizados, multipartidários e plurais para amparar nossos sonhos". Cada núcleo é uma semente com pessoas que, independentemente da filiação partidária, religião, trajetória, "carregam o desejo da justiça, o compromisso com a vida e a vontade de transformar a sociedade".
Não importa o número de núcleos, mas os encontros reais, os laços construídos. Como uma semente, a força desses núcleos "começa no chão, nos pequenos gestos, nas pequenas ações coletivas". E onde houver muita gente, que se crie mais núcleos para preservar a proximidade, o afeto, os vínculos, a cercania da ação comum e que depois os núcleos se encontrem entre si. O "Importante e necessário é ser presencial; grupos de whatsapp, redes sociais, reuniões por videoconferência, podem auxiliar, mas nada substitui o encontro olho no olho".
O princípio é o do "sentir, pensar, agir". Trata-se de dialogar, decidir, agir. Cada núcleo decide o que fazer - hortas comunitárias, luta por moradia digna, comércio de vizinhança, defesa da educação, formação de pontos de cultura, criação de bibliotecas comunitárias e rodas de leitura. É importante que haja tempo para planejamento, ação territorial, análise de conjuntura e estudo, além de estratégia de comunicação, capacitação e formas de financiamento. Um encontro por mês é o mínimo para fortalecer os vínculos e a luta.
Ao reler o manifesto, relembro-me do Grupo dos 11 de Leonel Brizola e, respeitadas todas as proporções, da criação do Centro de Estudos e Pesquisas em Políticas Sociais em Suzano com Antônio, Eduardo, Jaimison, Roberto e Rosângela.
O importante é manter a esperança. E como nos lembram Gilberto Gil e Torquato Neto, o importante é a esperança em ação: "Louvo quem espera sabendo que pra melhor esperar procede bem quem não para de sempre mais trabalhar que só espera sentado quem se acha conformado".
Neste mundo polarizado e carente de afetos e debates, plantemos, pois, nossas sementes teimosas de esperança.