Dizem que somos o sexo frágil, entretanto, geramos vida, transportando por nove meses um corpo que se forma lentamente até estar preparado para encarar o mundo do lado de fora...
Muda nossa vida, nosso corpo, nossos sentimentos e, durante todo esse tempo não deixamos de manter nossas demais atividades, trabalhamos dentro e fora do lar, participamos de reuniões, continuamos plenas, somente buscando o conforto do repouso quando essa nova vida carece de algum cuidado especial.
Nos envolvemos intensamente em nossos relacionamentos, é um sentimento nato nas mulheres esse de acolher, abraçar, ajudar, amparar, o amor não é só sexo para nós, é entendimento, é saber ouvir, estender a mão sempre que for preciso, chorar e sorrir junto, porque nascemos com esse dom maravilhoso por sermos simplesmente mulher.
São as mulheres que alimentam os filhos com o líquido fantástico que os faz crescer, que cuida deles quando nada fazem por si por serem frágeis e carentes de tudo, não importando o sexo, o amor é igual e imenso. É com esse carinho materno que eles crescem, aprendem caminhar, falar, entender e tornam-se adultos...
Somos seres extremamente inteligentes (o que não significa que somos valorizadas), somos mais atenciosas, dedicadas e sensíveis e quando nos entregamos ao amor o fazemos por completo, acreditando e confiando na felicidade da vida em comum, partilhando alegrias e dificuldades, estaremos ali presentes, dando a mão para que tudo passe mais facilmente e que o Sol esteja sempre brilhando no reflexo do nosso olhar carregado de esperança. Também somos decididas, entendemos quando um relacionamento não mais está nos trazendo felicidade, mas nesse quesito não temos sempre o poder de decisão, porque muitas vezes os filhos tem prioridade, não devem ficar distantes do pai ou sofremos com a mão forte e carregada de ameaças, que infelizmente na maioria das vezes se concretiza, porque o outro lado não vive amorosamente, mas sente-se proprietário da nossa vida, do nosso corpo, da nossa alma e das nossos decisões, não permite e não admite que possamos nos separar, se não for para ficar com eles preferem ceifar nossa vida que à ele pertence, no seu entendimento, por isso nos matam, nos mutilam e nos destroem. Sofrer violência por parte do companheiro está se tornando rotina diária nos noticiários, parece aumentar a cada dia, mas sabemos que ela sempre existiu no silêncio do interior de muitos lares, de mulheres aprisionadas em suas casas, em vestimentas rudes e pesadas que escondem o corpo de mulheres que se tornam frágeis pelo medo, pelo terror imposto por leis cruéis, criadas por homens em nome da religião em muitas partes do mundo. Ser mulher não é fácil num mundo dirigido por homens rudes, que apesar de gerados e criados por mães carinhosas, tornam-se insensíveis na convivência com outros homens e, necessitam mostrar força e poder e, os exercem inicialmente com suas genitoras, irmãs e esposas principalmente, porque entendem que é com elas que devem mostrar no que se tornaram. Quando vão parar de nos matar, de nos mutilar, de nos humilhar? Talvez no dia que reconhecerem que somos de fato superiores porque somos cabeças pensantes, mas que jamais nos deixamos levar pelo desamor, seremos sempre sensíveis e humanas no sentido pleno da palavra, num mundo que segue a caminho da evolução...
Enquanto houver tanta violência contra nós não há como comemorar o Dia Internacional da Mulher com orgulho e alegria...



