A nossa criação existe desde os primórdios da humanidade.
Segundo a Bíblia, fomos criadas a partir de uma costela de Adão, mas desde daí os nascimentos só acontecem por meio de uma mulher. Esse fato deveria inspirar respeito, pois, sem mulheres não haveria humanos habitando este planeta...
Entretanto, as mulheres na história, com algumas exceções sempre foram dominadas e subjugadas por aqueles que dependeram dela para virem ao mundo... Os homens...
Homens se sentem fortes e dominadores, de fato foram criados com mais força muscular, para defender a família, sua prole, não para usarem essa força contra as pessoas, todavia, é contra as mulheres e outras pessoas até do mesmo sexo que se exibem, desejando mostrar seu poder e, infelizmente sua falta de raciocínio, porque é mais fácil terminar uma discussão fazendo uso dos braços, da força muscular, de armas do que fazendo uso do cérebro e do diálogo. O relacionamento entre homens e mulheres é natural e deveria ser pacífico, afinal ninguém se relaciona iniciando uma discussão, um desentendimento. As relações humanas se iniciam por comunhão de ideias, por afeto, pela convivência, sempre por um sentimento positivo, e com diálogos, pois, são as conversas que fazem acontecer as melhores amizades e os amores.
Relações assim iniciadas podem muitas vezes resultar em namoros que seguem rumo ao casamento ou a vida em comum, parecem perfeitas no começo e muitas o são até o final da vida, outras, por algum motivo sofrem um dano, parece um fio desencapado que pode gerar um curto-circuito repentino e um incêndio, muitas vezes incontrolável.
Quando falamos nas relações afetivas de um casal, essas discussões parecem ocorrer com mais frequência, por vezes o diálogo predomina e as relações se prolongam por anos, noutras a violência se estabelece e, podem até durar muitos anos num silêncio dolorido, que afeta a relação, o amor e subjuga, causando medo, até terror na parte mais frágil. Somos cientes de que a violência doméstica sempre existiu e era calada por força da imposição social e familiar, o silêncio feminino fazia parte desse contrato, o homem pacífico na convivência social era quase sempre violento e dominador com esposa e filhos no lar, entre as paredes que tudo acompanhavam como testemunhas silenciosas. Mulheres pareciam frágeis, apesar de fortes para a luta diária, para o cuidado com a família e com suas tarefas nada fáceis... Viviam caindo de escadas, escorregando em chão úmido, batendo em móveis que ficavam no caminho. Assim emudecidas, muitas vezes morriam sem nunca reclamar da violência que sofriam.
O mundo evoluiu e leis vieram para proteger essas mulheres, infelizmente criada a partir da violência brutal de um homem que tentou tirar a vida da esposa atirando nela e depois tentando eletrocutá-la...
Por cobranças externas, porque nossa Justiça delongava suas decisões, a pressão internacional resultou na criação da Lei Maria da Penha, promulgada em sete de agosto de 2006, um avanço em nossa legislação, pois, determinou que as penas aos agressores não fossem brandas, criou medidas protetivas e o afastamento do agressor do lar, permitiu a visibilidade da agressão contra a mulher (que era calada e obscura). Infelizmente ainda não vencemos, a violência contra as mulheres é real e presente em nosso cotidiano e temos um longo caminho a ser percorrido a caminho da evolução, onde o entendimento, o diálogo e a paz devem se estabelecer entre os seres que um dia se uniram por um sentimento de amor. Vinte anos que trouxeram mudança no tratamento legal, mas que ainda engatinha no caminho do aperfeiçoamento das relações afetivas, que só acontece quando o respeito se faz presente, porque fomos criados para viver em paz, mas ainda não entendemos isso...




