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Jornal Diário de Suzano - 01/08/2026
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Coluna

Sonhos não morrem

04 agosto 2026 - 05h00

Dois jovens cheios de planos e ideias para o futuro se encontram um dia no mesmo local de trabalho, a amizade surge simples, a mão estendida para colaborar, a conversa despretensiosa ameniza o ambiente normalmente tenso pela responsabilidade de ambos e dos demais participantes que cuidam com esmero da documentação que lhes é confiada por clientes novos e antigos.
As mãos se juntam para agilizar o serviço, afinal ainda era um tempo de máquinas de datilografia antigas e sem manutenção, de fichas preenchidas a mão, com caligrafia caprichada, para que em qualquer tempo pudessem ser lidas e entendidas.
No final do expediente todos voltavam para receber seus documentos prontos e deixarem seus clientes satisfeitos com a eficiência do órgão público, que na realidade tinha somente uma funcionária e só funcionava com essa eficiência graças a ajuda e parceria de todos.
Nos momentos em que podiam parar e conversar, a maioria jovem falava sobre os projetos para o futuro e, também ouviam os conselhos e causos dos mais velhos, mais experientes e vividos, que sempre se disponham a nos ensinar caminhos menos pedregosos, pois, já haviam trilhado por ele e sabiam como desviar dos empecilhos que a vida tem prazer em criar.
Os dois jovens também se incluíam nessa conversa, ouviam os conselhos com atenção, até porque naquele tempo havia muito respeito com o que os mais velhos diziam, a sabedoria residia em suas palavras.
Por vezes, ele dava carona para ela na saída, assim agilizava sua caminhada, porque podia ficar muito tempo aguardando o ônibus passar e certamente iria perder a aula no outro município onde cursava a faculdade.
As conversas assim foram se aprofundando a amizade se tornou mais intima e as confidências foram acontecendo com naturalidade.
Ela preocupada com os estudos e sempre supervisionada de perto pelo pai, não via ali nenhuma possibilidade de romance, somente de uma amizade sincera, tão difícil de encontrar nos tempos atuais, mas muito comum outrora.
A vida seguia seu rumo e, a fatalidade levou seu pai, ela então de jovem despreocupada passou a ser o braço direito da mãe e, as conversas sobre sonhos e projetos pareciam ter fenecido, junto com aquela perda dolorida.
Dizem que o tempo nunca é o vilão, nós é que não damos oportunidade para ele...
Então o tempo foi passando com seu modo tranquilo, amenizando dores, curando feridas, assentando a poeira que o caos ocasiona.
Assim a amizade com o passar do tempo aprofundou, criou raízes fortes e o namoro surgiu, por conta de sonhos parecidos e de um sentimento que foi aflorando levemente em cada um deles.
Os amigos entenderam e apoiaram aquela amizade que se aprofundara, foram se tornando quase uma família, por conviverem boa parte do tempo juntos.
Hoje aquele casal já tem uma linda história de vida para contar, casaram-se, criaram uma família cheia de amor, nunca deixaram de sonhar e planejar o futuro, porque foi assim que tudo se iniciou.
Ainda conversam, se apoiam, quando a estrada fica mais difícil eles se dão as mãos para auxiliar na caminhada e, seguem enfrentando dias maravilhosos e os mais complicados sempre unidos.
Já faz quase meio século que tudo começou, muita coisa mudou, menos o entendimento e o sentimento de amor e amizade que os uniu...