Vivemos meio alheios a tudo que nos cerca, presos nas telas de nossos celulares só vemos o que nos interessa. Deixamos de ler, de participar de rodas de conversa, de nos juntar com a família e quando o fazemos estamos mais ligados nas mensagens que nos chegam do que nas novidades que nos contam pessoalmente.
Nos veículos somente o motorista, por força de lei, se mantém distante das redes sociais e desse aparelho que aniquilou o convívio social, os demais quase nem se falam, todos tem as faces iluminadas pelo azulado das telas.
Pouco nos incomoda o que acontece ao nosso redor, a violência causa temor, mas está banalizada, entendemos como natural sermos assaltados, não nos surpreendemos com casos de violência contra outras pessoas, tudo vem se normalizando, pois, de verdade, só vivenciamos o que a internet nos mostra ou viraliza.
A violência contra as pessoas acontece diariamente, guerras estão muito longe de nós, não temos ideia do mal que causam, injustiças estão sendo praticadas por déspotas diariamente, mas nada disso nos atinge... Na internet só seguimos e nos interessamos pelo que nos deixa felizes.
Entretanto, nela também se pode conviver com páginas cruéis que ensinam disputas onde as vítimas devem ser massacradas e torturadas, não importando se são pessoas ou animais, o importante é o grau de crueldade aplicado, testando a capacidade de maldade do ser humano e, mesmo ciente disso muitos pais não buscam orientar seus filhos, acreditam que colocando em colégio renomados e patrocinando suas vontades cumprem com louvor a missão que lhes foi confiada.
Não perguntam aonde vão, com quem andam, o que veem na internet, vivem suas vidas na maior normalidade possível, sem nenhuma preocupação com os seres humanos que estão criando. Esquecem que lá na frente serão eles os condutores dos destinos das pessoas nas funções que ocuparem.
Foi necessário a agressão violenta de um cão, cuidado por várias pessoas, amado por todos que o conheciam, para acordar toda uma sociedade, um país...
Agora somos todos "Orelha! Todos queremos que a Justiça seja devidamente aplicada independente da situação social dos malfeitores, mesmo sendo eles jovens com carinhas simpáticas e com páginas sociais cheias de atividades corriqueiras.
Os pais são pessoas de poder econômico forte e conhecidos na sociedade por seus empreendimentos e se viram expostos nas redes sociais, na boca do povo, por conta das mazelas que seus filhos praticaram.
A violência desmedida cometida contra um animal querido por muitos, inofensivo e amoroso foi o estopim necessário para unir todas as pessoas, independente da opinião política, do credo, da posição social, da raça, da cor da pele, todos unidos clamam por Justiça para aquele animal que sozinho, indefeso sofreu no corpo pequeno violências desmedidas, que mal conseguimos imaginar a dor por ele sentida, com pregos inseridos em seu cérebro, pauladas que o machucaram a ponto de seu olho sair da orbita e de uma madeira que o transpassou internamente.
Saímos das telas de nossos celulares e passamos a ver a violência que atinge a todos de maneira mais realista e queremos que ela seja extirpada...
Clamamos por Justiça e queremos que ela se faça presente para todos os casos de violência que atinge pessoas e animais!


