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Jornal Diário de Suzano - 28/01/2026
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Coluna

A crise no Irã

18 janeiro 2026 - 08h00

 

Fernando Barreto, Jornalista e Pós-graduando em Política e Relações Internacionais, compartilha sua visão sobre os termos da atualidade em sua coluna dominical. Acompanhe de perto suas análises nas redes sociais: @fernandobarretojor

No artigo desta semana quero falar sobre a crise no Irã. O que está em jogo nesse momento. Dinheiro, conflitos e o reordenamento da geopolítica.


A história toda começa em 1970. O Irã era uma Monarquia autocrática pró-Ocidente, ou seja, apoiava os Estados Unidos. O país era comandado pelo Xá Mohammad Reza Pahlevi. Em 1979 o país passa por uma revolução, e a monarquia vira uma república islâmica teocrática sob o comando do aiatolá Ruhollah Khomeini. Este já morreu e hoje o comandante é Ali Hosseini Khamenei.


No último artigo de 2025 trouxe como recomendação o filme Argo, que tem como recorte histórico essa revolução pela qual o Irã passou em 1979.


Acontece que a mesma sociedade que apoiou a revolução na década de 1970, hoje está em revolta social para acabar com os aiatolás. 


A luta dos iranianos é digna, e qualquer outro país que já tenha vivido sob ditadura, deve apoiar a causa.


Acontece que os Estados Unidos estão inflando a questão, ameaçando intervir no país, o que preocupa.


E não devemos nos preocupar só pela soberania nacional do Irã que está em jogo. 


Convido o leitor a abrir o Google Maps agora e procurar pelo Irã. A parte sul do Irã dá para o Golfo Pérsico, que banha o Irã, Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos e Omã. 


Ao olhar de perto, podemos ver que há um estreito, uma limitação marítima entre a cidade de Dubai e o Irã. Esse estreito, chamado de Ormuz, é controlado pelo Irã. 


Uma eventual interferência americana no país pode fazer com que os aiatolás fechem Ormuz. 


Simplesmente pelo estreito passam 25% de todo o petróleo vendido no mundo. Um quarto de todo o petróleo mundial passa por ali. Uma ação iraniana de fechar Ormuz pode impactar drasticamente nos preços ao redor do globo.


Trump sabe disso, mas porque insiste em interferir, é a questão. Aliados dos EUA, como Arábia Saudita, já pediram e insistiram para que não interfiram na crise do Irã.


Além de tudo isso, há também o reordenamento da geopolítica. Já tratei disso aqui antes. A questão envolve o deslocamento do centro do poder mundial. 


Em Relações Internacionais estudamos um conceito sobre “unipolaridade e multipolaridade”.


Unipolar refere-se ao fato de apenas uma grande potência ditar os rumos econômicos e políticos do mundo. 


Os Estados Unidos detinham essa hegemonia desde os anos 1980, mas tem perdido cada vez mais para a China, pelo menos, desde 2010.


Acontece que quando há uma mudança do centro do poder geopolítico, como a história mostra, há um grande conflito armado.


A China, como tem-se visto nas últimas semanas, declarou apoio ao Irã e aos Aiatolás nesse conflito interno. Um ataque americano ao país do Oriente Médio pode sim desencadear um conflito entre potências. A China não vai se envolver para defender a Venezuela, mesmo que ela saia prejudicada pelo o que ocorreu com Maduro.


Mas quando se trata do Oriente Médio a conversa é outra. China vai rivalizar com os Estados Unidos nesse cenário geopolítico e, convenhamos, hoje os Estados Unidos não detém mais a hegemonia que já tiveram.


Convido o leitor também a acompanhar grandes especialistas brasileiros de Relações Internacionais que podem ajudar a entender mais esses assuntos. Em especial indico Leonardo Trevisan, grande expoente das RI no Brasil e que regularmente está em programas televisivos.