Fernando Barreto, Jornalista e Pós-graduando em Política e Relações Internacionais, compartilha sua visão sobre os termos da atualidade em sua coluna dominical. Acompanhe de perto suas análises nas redes sociais: @fernandobarretojorComo vocês sabem, o governo norte-americano realizou uma operação que capturou o presidente da Venezuela, Nicolás Maduro. Minha intenção jamais é opinar sobre o que devemos pensar a respeito do “político X ou político Y”. Minha intenção sempre é tentar trazer luz sobre um assunto complexo.
Maduro é tirano, foi reconduzido ao cargo de forma ilegítima. Seguiu como presidente sem comprovar que de fato foi eleito pela maioria do seu país. Isso é um fato. E ponto.
Outra situação é o que aconteceu na semana passada. A operação dos Estados Unidos que capturou o presidente tirano Nicolás Maduro é ilegal. E ponto.
As duas visões estão corretas e podem coexistir. Não é porque você acredita em um que não pode concordar com o outro.
Dito isso, quero exemplificar mais o porquê é perigosa a operação. No Direito Internacional, nenhum país pode atacar outro salvo duas situações: o que ataca foi atacado antes; ou o Conselho de Segurança da ONU autoriza a operação.
Não foi este o caso agora. Os Estados Unidos não foram atacados pela Venezuela, tampouco pediram alguma autorização à ONU.
Mas na história, esses episódios são comuns. E olha só, com os Estados Unidos no meio. Foi assim com o Iraque, ainda no início dos anos 2000, e também com o Afeganistão. Em ambos, o petróleo desses países era o foco, mas outros assuntos foram usados para tentar camuflar as reais intenções, como eu já havia dito anteriormente nesta coluna há algumas semanas.
Em um levantamento simples e rápido, podemos observar que dentre os 5 países que possuem as maiores reservas de petróleo do mundo, os Estados Unidos já se envolveram em conflitos com três!
A Venezuela lidera com cerca de 303 bilhões de barris. Em segundo está a Arábia Saudita com 267 bilhões. Em terceiro vem o Irã com 209 bilhões. O Canadá é o quarto, com 163 bilhões. E o Iraque em quinto, com 145 bilhões.
Venezuela no último fim de semana, Irã nos últimos anos e o Iraque em 2003. Todos foram atacados pelos Estados Unidos.
E então eu volto ao título desta coluna: como fica a geopolítica após a operação? Eu analiso os seguintes cenários. A intenção dos Estados Unidos é de, primeiro, ampliar a força de suas empresas petrolíferas. Segundo, retomar o poder que vem perdendo nos últimos anos na América Latina. E terceiro, atacar a China.
A China é a maior compradora de petróleo da Venezuela. Em 2023, 63% dos barris vendidos pelo país latino tiveram a China como destino. A intenção de Trump é estancar, também, o fornecimento desse material ao que hoje é o maior rival dos Estados Unidos.
Após toda essa explicação, posso dizer que devemos temer por novas operações norte-americanas no nosso continente. Trump já falou da intenção de “tomar” a Groenlândia para os Estados Unidos. Na coletiva de imprensa após a operação de captura de Maduro, ele foi acintoso contra Gustavo Petro, presidente da Colômbia. Ameaçou também Cuba, que é um país comprador do petróleo venezuelano, e agora deve ter a parceria “cancelada”.
O que resta é a diplomacia brasileira fortalecer o diálogo na ONU e com os Estados Unidos para assegurar nossa soberania, porque após o episódio da semana passada, cada vez fica mais claro que nosso país está vulnerável.



