Fernando Barreto, Jornalista e Pós-graduando em Política e Relações Internacionais, compartilha sua visão sobre os termos da atualidade em sua coluna dominical. Acompanhe de perto suas análises nas redes sociais: @fernandobarretojorTrump voltou a ameaçar tomar a Groenlândia para os Estados Unidos. Ele exige que o país se una a eles de bom grado, ou será a força.
Com as declarações crescendo cada vez mais nas últimas semanas, França, Alemanha, Reino Unido e Dinamarca, que pertencem a Otan, decidiram enviar tropas militares para a Groenlândia.
Vale lembrar que a ilha (Groenlândia) possui governo próprio, mas ainda é parte da Dinamarca, esta, aliada dos Estados Unidos.
Então, surge a pergunta: Podemos estar diante de uma nova guerra mundial? Não, isso dificilmente acontecerá, principalmente entre países ocidentais.
Além de que França e Reino Unido possuem armas nucleares, e há nas Relações Internacionais uma teoria chamada Destruição Mútua Assegurada. Ela diz que países com armas nucleares suficientes para destruírem um ao outro nunca vão entrar em guerra.
Então, podemos assegurar que não haverá uma “Terceira Grande Guerra”.
Acontece que Trump tem sim interesses na Groenlândia. O ataque massivo que ele faz tem como objetivo forçar uma reunião para formalizar acordos.
Que tipo de acordos seriam? Bom, há uma ideia entre grandes potências mundiais nos últimos anos de que o próximo foco da economia internacional é explorar os polos. Por consenso mútuo dessas mesmas potências, tanto o Polo Norte quanto o Sul são áreas livres, não é possível comercializar nada nem tomar o território.
Mas tudo tem mudado, a ideia dos grandes países é começar sim a explorar a região. Pois com o descongelamento das calotas polares, tem-se observado importantes recursos naturais.
Além disso, o degelo tem-se criado uma nova rota econômica, e quem dominar a região poderá cobrar impostos de qualquer navio ou embarcação que por ali passar.
Trump está de olho nesses dois pontos. Ele quer os recursos naturais que podem ser encontrados lá e que serão muito úteis às empresas americanas, que tem ficado cada vez mais dependentes de outros países.
E o Republicano busca dominar a região para ganhar sobre qualquer embarcação com mercadorias que passar por ali.
No filme O Aprendiz, que trata da história de Donald Trump, estrelado pelo ator Sebastian Stan, fala um pouco sobre o perfil do presidente. Trump tem como estratégia o ataque. Aquele discurso: a melhor defesa é o ataque. Trump trabalha assim.
As declarações recentes sobre a Groenlândia foram enfáticas porque ele quer sentar para negociar.
Agora, se um acordo entre EUA e Groenlândia não for firmado, podemos ter novos ataques econômicos. Taxações ou até atitudes mais sérias, como fim de acordos.
Trump quer e ele vai até o fim para conseguir. Até por isso me leva a acreditar que as taxas sobre o Brasil não foram ideias dele, mas de seu ministro das Relações Exteriores, Marco Rubio. Se Trump quisesse de fato defender Bolsonaro, se estivesse incomodado com o STF, não teria dado um passo atrás.
Com a Groenlândia é diferente, assim como foi com a Venezuela. Vamos aguardar pelo o que pode desenrolar de toda essa situação.
Aviso
Quero informar você, leitor, de que esta foi a última coluna Mundo em Foco. Foram 18 artigos escritos sobre diversos assuntos. A ideia sempre foi trazer luz sobre os acontecimentos do mundo.
Me despedi do Diário de Suzano na sexta-feira, rumo a novos desafios.
Foram 6 anos e oito meses de jornal e fico muito feliz com tudo o que construí aqui.
Vocês podem acompanhar meu trabalho no instagram: @fernandobarretojor.



