Fernando Barreto, Jornalista e Pós-graduando em Política e Relações Internacionais, compartilha sua visão sobre os termos da atualidade em sua coluna dominical. Acompanhe de perto suas análises nas redes sociais: @fernandobarretojorPodemos estar diante de um relevante novo acontecimento na história da política norte-americana. Na última quarta-feira, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, cedeu à pressão do seu próprio partido e sancionou a lei que libera os arquivos da investigação sobre o suposto esquema de tráfico sexual operado por Jeffrey Epstein.
Jeffrey Epstein foi um empresário, quase um personagem daqueles filmes de Hollywood em que aparecia nas sombras, ninguém conhecia o rosto, só se ouvia o nome. Epstein tinha envolvimento com vários políticos, inclusive Trump, com quem compartilhou festas, encontros e e-mails, esses que foram divulgados nos últimos dias e podem revelar um passado obscuro do presidente americano.
Em razão disso, fui relembrar um outro acontecimento da política americana que virou livro e filme. Todos os Homens do Presidente, filme de 1976, estrelado por Dustin Hoffman e Robert Redford.
O filme retrata as apurações de dois jornalistas do jornal Washington Post: Carl Bernstein e Bob Woodward, vividos pelos atores citados.
O filme, que se baseia em livro publicado pela dupla, traz os bastidores da investigação que resultou no maior escândalo da política americana, ou pelo menos um dos maiores, que ficou conhecido como caso Watergate. Convido o leitor a assistir este belíssimo filme, que está disponível na HBO Max e Amazon Prime.
Mas resumidamente, a investigação dos dois repórteres do jornal revelou um grande esquema de manipulação das eleições orquestrado pelo partido Republicano e com aval do presidente americano à época, Richard Nixon. O esquema envolvia escutas na sede do partido Democrata, falsas declarações de candidatos democratas e caixa dois com doações feitas por eleitores republicanos.
A investigação dos jornalistas resultou na renúncia do presidente Nixon em 1974, um ano após sua reeleição. Até hoje, essa foi a única vez em que um presidente dos Estados Unidos deixou o cargo sem ser por razões de saúde.
Por que me lembrei do filme? Ora, podemos estar diante de um novo acontecimento de igual magnitude. A depender do que estiver nesses documentos que serão divulgados nos próximos dias, Trump pode sofrer um impeachment ou, como o compatriota de partido, renunciar ao cargo.
Epstein e Trump tiveram uma longa amizade, em e-mails revelados recentemente, indicam, possivelmente, que o presidente teve contato com vítimas do empresário. Aguardemos para ver o que será revelado pelos documentos e se eles mostrarão Trump envolvido nos crimes.
UCRÂNIA
Vale citar na coluna de hoje, mesmo com o pouco espaço que me sobra, o possível desfecho para a Guerra na Ucrânia. Um acordo que pode ser firmado entre Trump/Otan e Putin pode ter a seguinte definição: a entrega dos 15% restantes da região de Donetsk (leste da Ucrânia) para Moscou e o reconhecimento internacional daquela província e da vizinha Lugansk como russas.
Segundo o texto, nas outras duas áreas anexadas ilegalmente pela Rússia em 2022, as meridionais Kherson e Zaporíjia, Putin fica com o que já conquistou, cerca de 75% de cada uma.
Ainda por cima, Moscou voltaria a integrar o G7, que até 2014 era G8, mas a Rússia deixou o grupo em razão da invasão da Criméia.
Se algo muito similar a este texto, mesmo com ajustes pontuais, for aprovado, se confirmará o que previ ainda em setembro: depois de tudo, a Ucrânia será “dividida” entre as duas potências.



