No verão circulo um tanto mais pela serra e pelo litoral. Como faço há uns tantos anos, passei o réveillon com a família em Campos do Jordão. Não tivemos muita chuva, talvez um pouco mais do que no ano passado. Deu para passear naquele encanto de cidade. Estava bem lotada, tanto quanto só tinha visto ali no inverno. Restaurantes cheios. E, logo ao chegar, me distraí, levei um forte tombo. Escorreguei numa escada de pedra e tive meus ferimentos no braço e na perna. Não fraturei nada, felizmente. Porem sabemos que incomoda bastante, dói, o que nos reduz seu tanto e atrapalha. Mas, em princípio, não quero mudar meus projetos para o ano que vem. Tentarei me cuid ar um pouco melhor.
Mas neste verão a coisa anda certamente mais complicada um pouco. Pode ser que a idade me imponha uns bons limites no seu tanto, mas andar entre calor extremo e chuva forte é sempre mais complicado. E a gente acaba estranhando um bom tanto por onde circulamos. Coisa complicada para paulistas. Somos viciados em meio termo. Agora, neste verão, temos de ligar o ar-condicionado, onde tem, ventilador e por aí vai. Em Suzano, onde nunca passei por 35º C, a gente agora fica meio atrapalhado com o tempo tão quente. É bem estranho, mas nos afetou bastante a vida. No litoral paulista teve lugares que se aproximaram dos tais 40º C. Costumo descer regularmente nesses últimos cinquenta anos. Morei em Santos na adolescência, nunca vi isso. Verdade, o mundo está mudando. Mudando muito e rápido e forte. Não sei fingir que não estou percebendo isso tudo.
As novas gerações vão enfrentando assas diferenças de modo diverso da minha. Essas alterações já se faziam perceptíveis nos últimos anos. Mas agora tudo parece que está estabelecido. As praias paulistas estão bem mais parecidas com as cariocas. Muito cheias, e com costumes um tanto não recomendáveis. Não só com músicas muito altas, agora já impedidas pela polícia, mas também com o descarte de lixo. Os pets de há muito são proibidos nas areias, quem já pegou o bicho-geográfico na própria pele sabe bem do problema. Mas, alguns tentam ainda enfrentar tais problemas negativamente.
Daqui a pouco chega o carnaval, e muitos vão trazê-lo a sua praia. Ou levá-lo para a montanha, se for o caso. Quem gosta vai vivê-lo. Quem não gosta tente escapar, se conseguir.
Aliás, falando disso, Suzano há uns quarenta, cinquenta anos, tinha um bom e belo carnaval. Fui jurado em muitas vezes. Como esquecer da perda do querido Xavier, com a sua criação do bloco das “Viúvas Virgens”. Um líder!
Na minha cabeça, creio que ainda há público e participantes para voltarem os desfiles de blocos e escolas de samba na nossa cidade. Tínhamos belas plateias. Vale fazer uma pesquisa e sabermos mais. Sempre tem patrocinadores para isso. Vale testar, não só as autoridades, mas também a sociedade, que se manifestem a respeito. Estamos no meio do verão, mais um mês e meio e essa bela estação vai embora (ou continua, ninguém sabe...). Deixemos alguns sinais de que somos envolvidos por nosso país tropical. Continuemos encantados.

