Recebi minha irmã mais novinha esta semana aqui em minha casa, em Suzano. Éramos onze irmãos, dos dois casamentos de meu pai, seis do primeiro e cinco do segundo.
Sou o filho mais velho do segundo casamento. Essa minha irmã visitante é quinze anos mais jovem que eu. Isso fazia uma diferença lá nos tempos antigos. Agora nem tanto. Hoje somos apenas três irmãos ainda em pé, só do segundo tempo do papai. Meus irmãos mais velhos sempre viveram no Rio Grande do Sul, onde também nasci. Mas com o tempo fomos saindo de lá, indo para onde meu pai, oficial do Exército, era transferido. Sempre me dei muito bem com todos os meus irmãos e muitos dos meus sobrinhos, ainda que tantos conheci quando ainda eram crianças. Sempre que posso vou ao Sul. E quando possível encontrava alguns dos meus irmãos, hoje nenhum mais. Mas por vezes encontro sobrinhos.
Minhas duas irmãs ainda em pé vivem em Niterói. Cidade encantadora, onde morei no tempo da escola de ensino fundamental I e gosto muito de visitar. Depois viemos com a família para o estado de São Paulo, que virou a minha terra, que antigamente sempre se exibia como um canto moderado. Era um lugar calmo, sem exibições de violência. Todo o mundo daqui se encantava com o que vivia. Era uma região também de temperaturas amenas, nada de variações extravagantes. Verão tranquilo, sem exageros. Inverno bem maneiro, sem nada de sofrimento. Tudo sempre calmo. Era o que tínhamos aprendido em São Paulo. Bom de viver.
No início dos anos de 1970 casei com uma moça de Suzano, ocasião em que essa minha irmã agora visitante esteve presente, ainda menina. Aqui era uma cidade pequena, tranquila.
Após isso minha mulher e eu tivemos a nossa temporada fora do País, quando nasceu nosso filho. Época difícil, claro, mas aprendemos muito. Foi quando lá me tornei professor, inicialmente universitário. E na volta, uns cinco anos após tudo aquilo, nos estabelecemos por aqui, definitivamente, quando recebemos nossa filha, os dois queridos hoje adultos. Foi nessa oportunidade que me tornei também professor secundário, acrescentando mais atividades com ingresso em concursos. Muito mais a aprender. Sempre estive aberto ao novo e interessante. Podemos aprender mais, pre cisamos nos colocarmos em condições para isso. Lutei pela minha vila sempre e fui honrado pelo reconhecimento. Sei bem que daqui desse meu querido cantinho não vou mais sair, sou susanense até por lei.
Minha irmãzinha visitante gosta de vir aqui e adoramos nos encontrar e conversar e passear. Contamos sempre ter mais desses encontros. Ela tem seus dois filhos, adultos e independentes, que tocam seus destinos de modo aberto. Mesmo que eu esteja quase completando meus oitenta aninhos, vamos tratando da vida que levamos, o que já passamos e o que planejamos, presente, passado e futuro. E sempre podemos aprender, depende de nós.
Sei bem que os mundos vão mudando com o passar do tempo. Escolhemos o percurso e vamos seguindo. Mas se nos dispusermos, vamos sempre aprendendo.

