Mais de 86% dos menores infratores internos da região que estão nas unidades da Fundação Centro de Atendimento Socioeducativo ao Adolescente (Casa) praticaram roubos ou tráfico de drogas. Esse é o perfil do infrator em todo o Estado, onde também mais de 80% dos casos são sobre estes delitos. A desestruturação familiar e a defasagem de políticas públicas são os principais responsáveis pela situação. O Alto Tietê possui cinco unidades da Fundação Casa, sendo os prédios de Ferraz de Vasconcelos I e II, de Itaquaquecetuba I e II, e uma sede em Arujá. No início do último mês, a região contava com 231 menores internos nas unidades, que também atende adolescentes da Grande Leste. Deste número, 126 casos são sobre roubo qualificado e 74 sobre o tráfico de drogas. A maioria dos jovens tem idades entre 16 e 18 anos. De acordo com o diretor da Casa Ferraz II, Alexandre Pinheiro Medeiros, o perfil dos menores é verificado em todo o Estado. "O que mais vemos é adolescentes envolvidos com tráfico e roubo qualificado. A questão é que eles querem ter tênis, celular, e muitos moram com os pais que não tem condições de dar. É quando acabam infracionando. O tráfico é a forma mais fácil de conseguir dinheiro. A maioria também é usuário de drogas". Para a encarregada técnica da unidade, Jaqueline Aparecida Reis, a desestruturação familiar e a defasagem do governo contribuem para a aproximação dos menores com o crime. "Na verdade, junta a vontade do adolescente, a falta de estruturação da família, a defasagem do governo e a falta de políticas públicas. Então o crime acaba abraçando". Segundo o diretor, esta é a época em que as unidades mais recebem adolescentes. Alexandre explica que, no fim do ano, muitos internos finalizam o período estabelecido e são liberados. "Em dezembro eles vão e, no início do ano, recebemos mais. No fim de 2016 foram 14 menores desinternados na unidade. Entre janeiro e março, mais uns 10 adolescentes vão embora, se tudo ocorrer bem. A chegada de novos internos vai depender deles, não há expectativa. Eles saem, tem uns que ficam uma semana na rua e voltam. Têm outros que saem e nunca mais voltam, ou vão para outra unidade, tudo depende das vagas".