A retomada da economia deve acontecer de maneira mais lenta e, por conta disso, muitas famílias ainda têm compromissos para honrar em relação a credores.
Só para se ter uma idéia, pegando como exemplo de uma cidade do Alto Tietê, Mogi das Cruzes terminou o primeiro semestre de 2022 com um saldo de R$ 12.811.058,64 em dívidas inscritas no Serviço Central de Proteção do Crédito (SCPC), mantido pela Associação Comercial de Mogi das Cruzes (ACMC) em parceria com a Boa Vista. O montante é 15,22% menor que o registrado em 2021, quando o débito dos mogianos somava R$ 15.110.447,40.
O movimento de recuo pode ser explicado, em parte, pela retomada dos empregos, liberação de recursos como a antecipação do décimo terceiro salário para aposentados e pensionistas do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), saque extraordinário do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS), além de ações de renegociações promovidas pelas empresas.
De acordo com o levantamento do SCPC, atualmente 12.893 pessoas integram a lista de inadimplentes. No mesmo período do ano passado, esse número era de 15.802 pessoas, uma redução de 18,41%. O total de débitos registrados também seguiu em queda, saindo de 19.184 de janeiro a junho de 2021, para 15.701 neste ano, uma diminuição de 18,16%. A diferença entre o volume de nomes e dívidas inscritas varia, pois uma mesma pessoa pode ter mais de um pagamento pendente.
A situação das famílias em relação a dívidas ainda preocupa. Em junho, por exemplo, a proporção de famílias com dívidas a vencer ficou em 77,3%, o que representa uma queda de 0,1 ponto percentual em relação a maio em todo o País.
Na comparação com junho de 2021, houve crescimento de 7,6 pontos percentuais. Os dados da Pesquisa Nacional de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (Peic) foram divulgados ontem pela Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC).
De acordo com a CNC, esta é a segunda queda seguida no endividamento, após a alta recorde registrada em abril, quando o indicador ficou em 77,7%. As dívidas no cartão de crédito representam a maior fatia do endividamento, com 86,6% do total de famílias relatando este tipo de dívida. Em seguida vem os carnês, com 18,3%, e o financiamento de carro, com 10,8%. Em junho de 2021, essas proporções eram de 81,8%, 17,5% e 11,9%, respectivamente.
Segundo especialistas, a queda no endividamento reflete a melhora no mercado de trabalho. Com menos restrições impostas pela pandemia e as medidas temporárias de suporte à renda, como saques extraordinários do FGTS, antecipações do 13º salário, INSS e maior valor do Auxílio Brasil, a população precisou apelar menos para os gastos no cartão.
A pesquisa mostra que a inadimplência também apresentou queda, com retração de 0,2 ponto percentual na proporção de famílias com contas em atraso para 28,5%.