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Editorial

Celulares em escolas

12 fevereiro 2025 - 05h00 Por editoracao
Celulares em escolas

A pauta sobre celulares em escolas ainda segue, apesar das decisões tomadas pelas autoridades políticas. Nas redes sociais o debate existe, com “influencers” perguntando ao seu público o que pensam.
A maioria dos comentários é favorável, mas ainda existem aqueles que são contra, visto que o celular para alguns alunos é uma parte essencial em necessidades básicas e outras tarefas.
Mas fato é que o uso do aparelho desconcentra o aluno, tira o foco e atrapalha o aprendizado.
Um estudo produzido pelo Centro Regional de Estudos para o Desenvolvimento da Sociedade da Informação (Cetic.br) aponto que nos últimos dez anos, o uso de internet e a posse de aparelho celular cresceram entre as crianças brasileiras até 8 anos. Considerando-se a faixa etária de 0 a 2 anos, a proporção de crianças usuárias de internet saltou de 9% em 2015 para 44% no ano passado. Já na faixa etária de 3 a 5 anos, o salto foi de 26% para 71% no mesmo período e, entre 6 e 8 anos, o uso dobrou, passando de 41% para 82%.
“Esse dado precisa ser melhor investigado no futuro para a gente entender quais são os tipos de uso. A gente sabe que muitas vezes esse uso é para assistir programas ou conteúdos, não necessariamente é um uso muito ativo da internet. Mas isso já mostra que a tecnologia está presente nos domicílios para essa faixa etária”, explica o coordenador-geral de pesquisas do Cetic.br, Fábio Senne.
A proporção de crianças que possuíam celular próprio subiu entre 2015 e 2024: de 3% para 5% na faixa de 0 a 2 anos; de 6% para 20% na de 3 a 5 anos e de 18% para 36% na faixa etária de 6 a 8 anos.
No caso do computador, no entanto, aconteceu o contrário. Em 2015, 26% das crianças de 3 a 5 anos e 39% das de 6 a 8 anos utilizavam esse tipo de equipamento. Em 2024, as proporções diminuíram para 17% e 26%, respectivamente.
O estudo apontou ainda que o uso de tecnologias digitais por crianças de até 8 anos varia conforme as condições econômicas, sendo menor entre os mais pobres. Entre as crianças de domicílios de classes AB, por exemplo, 45% daquelas com idades de 0 a 2 anos, 90% das de 3 a 5 anos e 97% das de 6 a 8 anos foram usuárias da internet em 2024. Na classe C, as porcentagens foram de 47%, 77% e 88%, respectivamente. Já entre as de classes DE, os mesmos indicadores somaram 40%, 60% e 69%.
Sem dúvidas o celular hoje é uma parte essencial da nossa vida, mas há locais e momentos para o uso. 
O ensino no Brasil é precário e a solução não é somente a proibição do celular nas escolas, mas passa também por isso, e pode ser o despertar para uma mudança importante no ensino público brasileiro.