O Banco Mundial revisou para baixo a previsão de crescimento da economia brasileira em 2026. A projeção de avanço do Produto Interno Bruto (PIB, conjunto de bens e serviços produzidos) passou de 2% para 1,6%.
A estimativa consta no relatório Panorama Econômico da América Latina e o Caribe, lançado nesta quarta-feira (8), em Washington, nos Estados Unidos.
A previsão anterior havia sido divulgada em janeiro. O Banco Mundial é uma instituição financeira internacional formada por 189 países. A instituição faz parte do sistema das Nações Unidas e fica sediada na capital americana.
Ao comentar a redução do crescimento, o economista-chefe do Banco Mundial para a América Latina e Caribe, William Maloney, apontou efeitos externos, como o choque no preço do petróleo, e elementos internos.
“Tem muita preocupação por parte do consumidor com as taxas de juros altíssimas que afetam consumidores endividados”, diz Maloney em entrevista online a jornalistas.
O nível de endividamento das famílias tem sido uma das preocupações do governo, que estuda medidas como o uso do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) como forma de trabalhadores quitarem dívidas.
A projeção de crescimento do Banco Mundial está alinhada à do Banco Central (BC) brasileiro, mas abaixo do boletim Focus, que retrata o humor do mercado financeiro, que espera 1,85%. Fica abaixo também da projeção do Ministério da Fazenda, de 2,3%.
América Latina
Para a América Latina, o Banco Mundial também revisou a projeção de crescimento da economia, passando de 2,3% para 2,1%.
Entre os motivos apontados para a desaceleração está a guerra dos Estados Unidos e de Israel contra o Irã, que levou caos à cadeia produtiva do petróleo.
A região concentra países produtores de petróleo e rotas estratégicas, como o Estreito de Ormuz, ao sul do Irã.
“Os impactos imediatos da crise são através dos preços de petróleo e do gás”, avalia o economista-chefe.
Com menos produção nos países do Golfo Pérsico e o grande obstáculo logístico em Ormuz, o preço do barril de petróleo escalou no mercado internacional.
Mais do que na América Latina, William Maloney assinala que o choque do preço do petróleo chegará ao mundo todo, fazendo com que países sejam mais cautelosos na derrubada dos juros.
Os juros altos, utilizados para esfriar a inflação, funcionam como freio na economia, com encarecimento do crédito e pressionando a política fiscal (gestão de gastos públicos) de países.
“São impactos significativos nas economias como um todo e na questão fiscal, por isso que fizemos um downgrade [rebaixamento] da nossa previsão”.
Dos 29 países latino-americanos e caribenhos, o crescimento brasileiro é o 22º. A primeira posição é da Guiana, que deve saltar 16,3%, empurrada pela exploração de
petróleo na Margem Equatorial, região geográfica próxima à Linha do Equador, também desejada pela Petrobras.
Em 2025 o país cresceu 15,4% e para 2027, a projeção é ainda maior: 23,5%. Os números da Guiana são tão superlativos que o Banco Mundial os deixou de fora ao calcular os números globais da América Latina.
Embrapa e Embraer
Apesar de estar na parte baixa do ranking, o Brasil recebeu elogios por destaques na indústria de aviões e agricultura.
“A Embraer é um exemplo, o Brasil tem uma indústria muito boa”, afirmou o economista, quando comentava a necessidade de mão de obra qualificada para a indústria como um todo.
“A agricultura é uma área, particularmente no Brasil e na Argentina, onde tem altíssima tecnologia e altíssima produtividade. O Uruguai e o Chile também”, afirmou Maloney.
No texto publicado no site do Banco Mundial é referência também à Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), vinculada ao Ministério da Agricultura e Pecuária, que leva inovação e tecnologia para a agropecuária.
“A Embrapa se destaca justamente porque incorporou o aprendizado científico, a experimentação descentralizada e o desenvolvimento de capital humano no centro de sua estratégia, possibilitando ganhos de produtividade que persistiram mesmo além do apoio direto do Estado”, assinala o relatório.




Relatório cita alta do petróleo e endividamento das famílias - (Foto: REUTERS/Johannes P. Christo)




