O Alto Tietê tem 35,9 mil pessoas devendo o Imposto sobre Propriedades de Veículos Automotores (IPVA), totalizando um valor de R$ 32.68 milhões de débito. Mogi lidera a lista com o maior número de devedores, com 11,1 mil.
Os dados são da Secretaria da Fazenda e Planejamento do Estado.
Só nesta cidade, o valor total da dívida é de R$ 10,62 milhões – quase um terço do valor total da região -. Suzano vem em seguida, com 6,8 mil devedores (R$ 6,28 milhões) e Itaquá aparece na terceira posição, onde 6,5 mil pessoas devem o IPVA, gerando uma dívida de R$ 5,58 milhões à Fazenda.
A pasta começou a notificar, no último dia 24, mais de um milhão de devedores do imposto no Estado. As notificações são feitas via Diário Oficial do Estado, sem o envio de cartas para a residência.
Eliabe Moraes de Oliveira, professor de administração e ciências contábeis da Universidade de Mogi das Cruzes, destacou as dificuldades que a pandemia trouxe para as pessoas no pagamento de impostos e disse que o desemprego no atual período impactou nas prioridades das famílias.
“As famílias tiveram que se readequar financeiramente em tempos de pandemia; comércios fechados, empregos perdidos, salários diminuídos. As prioridades no orçamento familiar mudaram e os impostos foram escolhidos para uma negociação futura. Isso comprometeu a saúde financeira das famílias num curto período”, afirmou o especialista.
Ele também diz que as famílias precisam entender como estão as dívidas e se planejar. Neste momento, a maior atenção precisa ser dada às contas essenciais.
“A prioridade maior é fazer um diagnóstico e planejamento financeiro sobre seus ganhos e gastos mensais. Após conhecida a sua realidade financeira, pagar as contas de prioridades essenciais, como energia elétrica, água e moradia. Não é o momento de se negociar dívidas passadas, dada a situação econômica do momento”, aconselhou o professor.
Mesmo assim, ficar sem pagar o IPVA pode virar um grande problema. Além de entrar na Dívida Ativa, o devedor vai ter que pagar juros e encontrará uma série de dificuldades para conseguir crédito.
“É sempre preocupante (deixar de pagar um imposto). O nome do devedor deve ser inserido na Dívida Ativa, além de serem cobrados juros e multas, dificultando empréstimos e aumentando as restrições de crédito. Diria que o não pagamento do IPVA gera transtornos e riscos tanto financeiros como jurídicos para a pessoa”, finalizou Oliveira.