Em períodos eleitorais, é curioso observar como uma ideia deixa de pertencer a quem a criou e passa a depender de quem acredita nela.
Uma proposta pode ser tecnicamente consistente e, ainda assim, precisar conquistar confiança, gerar identificação e mobilizar pessoas para ganhar força.
Dentro das empresas, vejo uma dinâmica semelhante.
Muitas das melhores oportunidades surgem quando alguém, dentro da própria organização, percebe uma possibilidade que ainda não ganhou espaço. Pode ser uma nova forma de trabalhar, um produto que ninguém havia considerado, uma mudança na comunicação ou uma maneira diferente de resolver um problema antigo.
A partir daí começa uma parte essencial do intraempreendedorismo. A ideia precisa circular. Precisa encontrar aliados, despertar interesse, superar resistências e conquistar espaço para se transformar em realidade.
É nesse movimento que a iniciativa se transforma em influência. Toda organização reúne pessoas com prioridades, repertórios e responsabilidades diferentes. Fazer uma ideia avançar exige compreender essas diferenças e construir uma convergência capaz de colocar pessoas distintas em movimento.
Essa capacidade de articulação costuma ser tão determinante quanto a própria qualidade da ideia. Uma apresentação pode receber aprovação de todos em uma sala e desaparecer no dia seguinte. Outra pode começar pequena e ganhar força à medida que diferentes pessoas passam a defendê-la, adaptá-la e incorporá-la ao próprio trabalho.
É aí que uma ideia começa a deixar de ser propriedade de quem a criou. A pessoa intraempreendedora precisa construir essa passagem e fazer com que uma oportunidade individual se transforme em uma agenda coletiva.
Talvez essa seja uma das competências mais importantes para quem quer transformar organizações de dentro para fora. Saber construir adesão.
Durante muito tempo, valorizamos quem tinha a grande ideia. Depois, passamos a valorizar quem sabia executá-la. Hoje, vale olhar com mais atenção para quem consegue fazer uma organização inteira se mover em torno dela.
Uma empresa muda quando uma ideia encontra pessoas dispostas a fazê-la acontecer. E, nesse sentido, boas ideias também precisam conquistar votos.
Thiago Adriano é diretor de criação, estrategista e empreendedor - (Foto: Divulgação)