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Região

Fim das bets deve frear prejuízos com apostas e proteger famílias da região

Odete Reis avalia que apostas on-line podem comprometer o orçamento familiar

08 outubro 2026 - 05h00 Por Danielly Miguel - da Reportagem Local

O crescimento das apostas on-line no Brasil tem provocado preocupação pelos impactos financeiros causados às famílias, especialmente entre a população de baixa renda. Para a especialista em educação financeira Odete Reis, o chamado “jogo de recuperar o dinheiro perdido” pode levar o apostador a um ciclo de novas apostas, endividamento e comprometimento das despesas básicas.

Atualmente, a Medida Provisória (MP) 1.394/2026, proibiu a exploração, a oferta, a intermediação e a publicidade de apostas esportivas e jogos on-line no Brasil. O prazo para que os usuários retirassem voluntariamente os recursos mantidos nas plataformas terminou às 23h59 da última segunda-feira (5).

Mesmo após o encerramento, R$ 1,325 bilhão ainda aguardam devolução a aproximadamente 26,5 milhões de apostadores. As empresas terão os dias 7 e 8 de outubro para informar às instituições financeiras os saldos remanescentes de seus clientes, vinculados aos respectivos CPFs. Entre 9 e 14 de outubro, os bancos deverão realizar a devolução dos valores.

Para Odete, as bets e os jogos on-line, como o chamado Tigrinho, deixaram de representar apenas uma forma de entretenimento e passaram a ser um problema financeiro e social para parte dos usuários. “Vejo com muita preocupação o crescimento das apostas on-line no Brasil e os impactos que elas vêm causando na vida financeira das famílias, especialmente entre a população de baixa renda”, afirmou.

Um dos principais riscos está na tentativa de recuperar valores perdidos

Segundo a especialista, Odete Reis, um dos principais riscos está na tentativa de recuperar valores perdidos. O apostador, ao sofrer um prejuízo, pode voltar a apostar acreditando que conseguirá recuperar o dinheiro, dando início a um ciclo cada vez mais difícil de interromper.

Esse comportamento, de acordo com Odete, pode evoluir para o transtorno do jogo e comprometer o orçamento, as economias e até o pagamento das despesas básicas da família.

O governo federal informou na última terça-feira (6) que solicitou o bloqueio de 13.241 sites ilegais de apostas desde 25 de setembro, quando as bets foram proibidas no país.

Também foram solicitadas remoções de milhares de páginas e perfis em redes sociais relacionados às plataformas.

Segundo o ministro da Fazenda, Dario Durigan, a ofensiva contra as apostas ilegais também representa uma mudança no fluxo de dinheiro das famílias. “Já tínhamos identificado entre R$ 600 milhões e R$ 650 milhões por dia que saía da poupança popular e ia para as bets. Dinheiro da poupança popular, que passa a ficar com as famílias. Essa é uma mudança importante”, declarou.

Na avaliação de Odete, a proibição pode contribuir para conter os prejuízos financeiros provocados pelas apostas. Ela defende que o Congresso Nacional avance na discussão para transformar a medida provisória em uma proibição definitiva. “Acredito que a MP pode contribuir para estancar essa sangria financeira que vinha atingindo milhares de famílias brasileiras”, afirmou.

A especialista também ressalta que a educação financeira, embora importante, não é suficiente diante de mecanismos que podem levar à dependência e ao endividamento. “É preciso também proteção e políticas públicas que preservem principalmente as famílias mais vulneráveis”, concluiu.