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Região

Mudança na escala 6x1 preocupa comércio do Alto Tietê por custos e organização das equipes

Sincomércio defende negociação coletiva para estabelecer regras de transição diante da redução gradual da jornada de trabalho

02 novembro 2026 - 15h11 Por Danielly Miguel

O fim da escala 6x1 e a redução da jornada de trabalho devem exigir mudanças na organização do comércio varejista do Alto Tietê. Diante disso, o Sindicato do Comércio Varejista de Mogi das Cruzes e Região (Sincomércio) defende a negociação coletiva para orientar a adaptação e reduzir os riscos jurídicos e financeiros para os lojistas.

Promulgada pelo Congresso Nacional em 16 de outubro, a emenda constitucional prevê a adoção da escala 5x2, com dois dias de descanso semanais, e a redução gradual da jornada semanal de 44 para 40 horas, sem diminuição salarial. A primeira etapa está prevista para dezembro deste ano, quando o limite passará a ser de 42 horas semanais. A transição completa deverá ocorrer em dezembro de 2027.

Segundo a entidade, a reorganização das jornadas exige planejamento para manter o atendimento ao público, especialmente em períodos de maior movimento, como a Black Friday e o Natal. Entre os desafios estão a distribuição de turnos e das folgas e a necessidade de mão de obra para cobrir os períodos de descanso dos funcionários.

O Sincomércio também alerta para a possibilidade de aumento dos custos operacionais, principalmente nos pequenos estabelecimentos, que contam com equipes reduzidas e têm menos flexibilidade para reorganizar o quadro de funcionários.

Para o presidente da entidade, Valterli Martinez, a adaptação deve ocorrer de forma planejada, com diálogo entre os representantes dos empregadores e dos trabalhadores. “A adequação às regras da PEC não pode ser feita de forma desorganizada. Estamos propondo um caminho de diálogo. A Convenção Coletiva é a única ferramenta capaz de recepcionar essa transição de 44 para 42 horas de maneira equilibrada”, afirmou.

O Sincomércio mantém conversas com entidades representativas dos trabalhadores para discutir modelos de jornada que considerem as particularidades dos diferentes segmentos do varejo, como vestuário, calçados, supermercados e concessionárias.

A proposta é estabelecer regras que permitam organizar os turnos e as folgas de acordo com as necessidades de cada atividade, sem comprometer a continuidade do atendimento ou elevar excessivamente as despesas dos estabelecimentos.

De acordo com a entidade, a Convenção Coletiva de Trabalho (CCT) é um instrumento para negociar condições entre os sindicatos patronal e laboral, respeitando os limites legais. O objetivo é oferecer maior previsibilidade aos empresários e garantir que as mudanças sejam implementadas de maneira organizada.