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Jornal Diário de Suzano - 21/11/2017
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Cantora Ana Cañas lança quarto disco da carreira chamado ‘Tô na Vida’

09 AGO 2015 - 08h00
Ana Cañas tem três gatos. Aliás, durante algum tempo, achou que um deles, o Chico, era Chica. Toda manhã, faz de seu ritual limpar a caixa de areia dos bichanos. Em alguns dias especiais, Ana Cañas fuma cigarros daqueles de caixa azul, lights, mas garante que não é fumante compulsiva. Em contrapartida, ela gosta particularmente de correr no fim da tarde, início da noite, em algum parque próximo da casa dela, da mãe ou do namorado - novo namorado, por sinal.

Ana Cañas terminou um casamento de 10 anos e, hoje, se redescobre apaixonada. Viveu sua espiral de autodestruição, como de ídolos tais quais Billie Holiday e Amy Winehouse, quando seu pai morreu, em 2006, mas não consome mais álcool e não tem problema nenhum em conversar sobre alcoolismo.

Ana Cañas está lançando um novo disco, o quarto da carreira, e, se não fosse por este fato, talvez nada citado acima importasse. “Tô na Vida”, contudo, tem mais dela do que qualquer um dos álbuns anteriores. E entender a mulher de 34 anos por trás da artista está no centro do trabalho de decifrar o novo direcionamento dela nesta nova empreitada.

Tô na Vida (slap/Guela Records) sucede Amor e Caos (2007), Hein? (2009) e Volta (2012), todos gravados em estúdio, e o ao vivo Coração Inevitável, registro cuja direção artística é assinada por Ney Matogrosso. Embora Ana comemore uma década na estrada, ela revela que sentia falta de algo na sua discografia. E, muito provavelmente, era dela mesma.

Pela primeira vez, Ana lança um disco apenas com composições próprias. São nove assinadas sozinha e cinco parcerias com Arnaldo Antunes, Lúcio Maia, Dadi e Pedro Luís. Mesmo depois de três álbuns, ela se despe como nunca - de forma literal, inclusive, como na capa de Tô na Vida, cuja arte é assinada por Anna Turra e o clique é de Caroline Bittencourt.

"É tudo ou nada', escreveu ela na apresentação do disco para a imprensa. No estúdio da produtora que cuida da carreira dela, na Pompeia, bairro da Zona Oeste de São Paulo, ela explica o radicalismo escrito ali. "É algo muito pessoal", ela analisa. "De maneira alguma quero ofender ou desapontar as pessoas que acompanham o que eu faço, que compraram meus discos, mas pessoalmente falando, olhava e pensava que talvez não tivesse alcançado algo relevante musicalmente. Sou uma pessoa que se cobra muito. Sentia falta de algo a mais. Sei lá, achava que não tinha feito algo realmente bom."

Ela expõe, ao longo de uma hora de entrevista em um dos quartos da casa gigantesca transformada em escritório, que sentia falta de uma identidade musical nas suas composições. "Algo mais definitivo. 'Afinal, qual é o som da Ana?', as pessoas diziam. A Ana canta rock, tem um som meio anos 1970, canta balada, tem um power trio e toca guitarra. Definir isso era difícil para mim. Pensava que já estava na hora de fazer um disco que eu saiba quem eu sou. E que as pessoas também saibam."

Ana tinha, no palco, seu maior amigo e inimigo. Ama estar ali, cantar para as pessoas, mas, até Tô na Vida, havia relegado o estúdio. Não havia levado para lá a energia e entrega que mostrava diante do público. "Tive discussões profundas e filosóficas de questionar o que estou fazendo com a minha carreira, para onde quero ir, aonde quero chegar. Foi um momento de questionamento profundo que veio esse 'tudo ou nada'. Tem a ver com isso, sabe?", ela diz, enquanto mexe nos cabelos encaracolados, meticulosamente preparados na linha tênue entre o despenteado e o arrumado. "Sentia que precisava fazer um disco que gostasse para c.... Que sentisse que eu estava ali. E aconteceu isso", conta ainda.

Ana não viveu uma carreira comum, principalmente depois de ser contratada pelo braço de empresariamento de artistas da gravadora Sony Music (então chamada Sony BMG), denominado Day1. Passou pelos anos de aprendizado, cantando em pequenas casas por São Paulo pelo bairro paulistano do Bixiga, estabeleceu-se como atração do prestigiado bar Baretto, do hotel Fasano, onde chamou a atenção de gente como Chico Buarque. Ao chegar à major, contudo, saltou direto para as capas dos jornais de cultura, para as grandes campanhas de marketing e para um mundo que, ainda, lhe era extremamente estranho.

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