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Jornal Diário de Suzano - 21/11/2017
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Exposição tem encontro memorável de Mário de Andrade, Segall e Portinari

08 AGO 2015 - 08h00
Após mais de um ano fechado para reformas, o Museu Lasar Segall reabre hoje, as portas de seu espaço expositivo, exibindo um encontro memorável entre Mário de Andrade (1893-1945), Cândido Portinari (1903-1962) e o próprio Segall (1891-1957).

A reinauguração do Museu Lasar Segall se dará por etapas. Hoje, será aberta somente a sala de exposições, que conta com uma série de novidades, como novo sistema de segurança, climatização e iluminação. A reabertura total está prevista para o dia 12 de dezembro, quando também será inaugurada a exposição Cárceres a Duas Vozes - Piranesi e Ana Maria Tavares.

Já a abertura da biblioteca, provavelmente, ficará para um pouco depois. Mesmo em boa parte imperceptíveis, as profundas modernizações na infraestrutura - como por exemplo a reforma completa dos 2,3 mil m² de telhado e da rede elétrica - serão vitais para a preservação e divulgação da obra de Lasar Segall e para o trabalho do único museu federal de São Paulo.

Por intermédio de uma seleção de 50 obras acompanhadas de comentários do escritor e crítico, a exposição Mário de Andrade e Seus Dois Pintores - Lasar Segall e Cândido Portinari promove uma interessante triangulação, que não apenas ilumina a produção visual e intelectual de cada um dos personagens, como amplia a compreensão do público acerca do momento histórico em questão. Entre as décadas de 1920 e 1940, os dois artistas se tornam - e se revezam - aos olhos do poeta como "aqueles que contavam mesmo".

"Mário sempre procurou um paladino, alguém que personificasse a arte que ele queria para o Brasil", afirma Anna Paola Baptista, curadora da exposição, acrescentando que nessa espécie de bailado entre o ideal de arte defendido por Mário de Andrade e a obra dos dois pintores houve alterações de tom e mudanças de caminhos interpretativos. Enquanto no início há um evidente entusiasmo, com o passar do tempo nota-se uma certa modificação, alguns sinais de revisão crítica da obra dos dois pintores, uma irritabilidade sobretudo em relação a Segall e uma defesa um tanto suspeita das fragilidades de Portinari (como, por exemplo, quanto às reiteradas acusações de que ele copiaria Picasso).

"Com 'seus dois pintores', Mário atravessa dois períodos cruciais, muito diferentes e tensos, da cultura brasileira", acrescenta Jorge Schwartz, diretor do Museu Lasar Segall. "Os avanços e recuos de Mário de Andrade em relação aos dois, mostra quanto para ele foi mesmo difícil fazer escolhas e emitir opiniões", ressalta ainda.

A ideia original foi de Schwartz, que convidou Anna Paola - conservadora dos museus Castro Maya - para assumir a curadoria. Após anos de pesquisa, os recursos foram obtidos no fim de 2014, para a exposição e o catálogo. "Procurei guiar-me pelo pensamento de Mário na escolha das obras, para que não só os pintores, mas ele também se fizesse presente", explica ela, definindo seu partido curatorial.

Obras icônicas, como os dois retratos de Mário de Andrade pertencentes hoje ao IEB, a Colona, de Portinari, ou Bananal, de Segall, convivem no espaço com obras menos conhecidas, cedidas por coleções particulares. Cada artista está representado por 25 trabalhos, num justo equilíbrio. As peças também estão dispostas em separado, em ordem cronológica. Só há um núcleo comum, ao final, com a produção sobre papel e autorretratos. "Não queria fazer - embora visitantes as façam, inevitavelmente - comparações, nem temáticas nem de estilo, entre eles. O próprio Mário nunca escreveu texto ou crônica comparando um e outro, por mais pressionado que tenha sido para isso", acrescenta Anna Paola, que integra a equipe de curadores dos Museus Castro Maya.

Não é possível, portanto, fazer um cotejamento direto entre as duas produções, nem mesmo entre os dois retratos de Mário de Andrade, que, segundo ele, representariam seu lado ruim e seu lado bom e que foram decisivos para que a balança de suas preferências pendesse em favor de Portinari, a partir dos anos 1930. A preferência evidente - e reiteradas vezes expressa - de Mário pelo retrato de Portinari deve-se ao caráter menos idealizado da tela de Segall. "Às vezes, chego a detestar (me detestar) o quadro que o Segall fez. É subterraneamente certo, mas, sem vanglória, o do Portinari é mais certo, porque é o que eu gosto", escreveu Mário de Andrade em carta.

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