Envie seu vídeo(11) 97569-1373
Sintonize nossa Rádio101.5 FMClique e ouça ao vivo
Quinta 23 de Novembro de 2017

Assine o Jornal impresso + Digital por menos de R$ 28 por mês, no plano anual.

Ler JornalAssine
Jornal Diário de Suzano - 22/11/2017
mrv

Música: Caetano Veloso fecha Virada Cultural de SP 2015 com chave de ouro

23 JUN 2015 - 08h00

Caetano Veloso fechou a Virada Cultural de São Paulo respondendo, enfim, aos pedidos para que não fizesse com Gil o show marcado para 28 de julho, em Tel-Aviv, Israel. Talvez como reação à presença de uma bandeira da Palestina, ele disse: "Para aqueles que estão dizendo Israel, não, eu digo Palestina, sim". E foi assim, com um breve momento de posicionamento político, que o baiano encerrou uma das Viradas mais tranquilas desde a estreia da festa no calendário, há 11 anos.

A Virada Cultural pode ter atingido, em 2015, sua melhor equação dos últimos anos, desde que os arrastões se tornaram parte da programação. Um retrospecto breve com relação à edição de 2013, considerada uma das mais violentas, mostra que algo deu resultado sobretudo durante a madrugada. Naquele ano, foram 12 arrastões, com duas mortes e dez feridos, seis por facadas e quatro por armas de fogo. Neste, segundo a PM, foram 73 ocorrências (até às 16 horas de domingo) e nenhum registro de crime violento. O número de atendimentos médicos foi de 268 nos dois dias, contra 1.882 em 2013.

A sensação de segurança foi mais forte neste ano, ligada à presença de três mil homens. Ainda às 22 horas de sábado, pelotões desfilavam pela Avenida Ipiranga e arredores como se dessem recados aos bandidos. No palco Julio Prestes, o mais vulnerável a furtos, foi instalado pela primeira vez um Posto de Observação Elevado, moderna base com monitoramento por antenas. Um helicóptero também sobrevoava o perímetro durante a madrugada.

Mas a paz, ou o cenário mais próximo a ela, pode ter seu preço. O que parece ligado diretamente ao maior clima de segurança é o fato de o público ter sido visivelmente menor. Houve um esvaziamento da Virada. Se em 2013 o número divulgado pela prefeitura foi de 4 milhões de pessoas, neste ano o Secretário de Cultura, Nabil Bonduki, preferiu não falar em números. "Tivemos um público que estimo semelhante aos últimos anos. Certamente menor na madrugada e maior durante o dia", avaliou. Disse não ter feito cálculo por faltar base científica que considerasse a movimentação. "A Virada dura 24 horas. Alguns vêm para um show e outros ficam 12 horas. Mas, de uma maneira geral, eu diria que tivemos um número muito significativo."

Não é bem assim. Palcos como o da Jovem Guarda chegaram a ter shows esvaziados em um terço da expectativa da organização, considerando a posição dos PAs avançados (caixas acústicas colocadas no meio da plateia). Em alguns lugares, como no Arouche e no Julio Prestes, eles se mostravam desnecessários, já que a linha do público concentrado não chegava nem perto de suas posições. Não mais do que duzentas pessoas assistiam a Leno e Lilian na noite de sábado. Mesmo o hitmaker Fabio Jr, no Julio Prestes, fez uma apresentação envolvente às 3h30 da madrugada para pouco mais de um terço das pistas reservadas na Avenida Duque de Caxias.

Dos novos espaços, três deles se destacaram. A homenagem a Inezita Barroso ganhou dois palcos na Praça da República. O maior recebeu nomes sertanejos clássicos, como Pedro Bento e Zé da Estrada e, o segundo, menor, ficou apenas para trios e quartetos de forró pé-de-serra. Este poderia ser adotado sem riscos para as próximas edições. Sua vibração era a mesma tanto às 22 horas de sábado quando às 4 horas da madrugada ou às 11 horas de domingo. O palco instrumental, na Barão de Itapetininga, colocou gente grande da produção paulista, como os pianistas Amilton Godoy e Débora Gurgel, a flautista Lea Freire e o Trio Corrente, vencedor de dois Grammy. E o palco do choro, na Praça do Patriarca, teve um formato leve, simulando uma roda de choro com revezamento para uma plateia respeitosa, envolvida por performances cheias de virtuosismo.

A plateia foi em peso ver Caetano, que incluiu ao repertório Sampa (que usava em alguns shows da temporada), "Desde que o Samba é Samba" e "Sozinho". Antes de Caetano, Emicida e Martinho da Vila haviam transformado o Julio Prestes em roda de samba homenageando Jair Rodrigues, morto em 2014, com uma versão de "Deixa Isso para Lá".

Leia Também

Últimas Notícias

Ver Últimas Notícias