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Jornal Diário de Suzano - 19/11/2017
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Volpi ganha monumento em parque

14 JUL 2015 - 08h00

Um monumento a Alfredo Volpi (1896-1988), de autoria do escultor paulistano Paulo Rebocho, deverá ser instalado na entrada do parque que leva o nome do pintor, extensa área que ocupa 140 mil metros quadrados no bairro Cidade Jardim. O Instituto Alfredo Volpi encomendou a obra a Rebocho, uma escultura em granito preto que traz a forma consagrada por Volpi em suas têmperas, um quadrado do qual foi retirado um triângulo, inversão do paradoxo do quadrado perdido de Curry - Volpi dizia que não pintava bandeirinhas, que elas eram a marca de Pennacchi.

Seja como for, as "bandeirinhas" de Volpi estão representadas na escultura de Rebocho. O escultor tem vasta experiência na recuperação de praças em São Paulo, nem sempre reconhecida pelas sucessivas administrações da cidade. A exemplo do mineiro Amilcar de Castro, Rebocho promove a interação dos elementos vazios de sua escultura com o espaço circundante, resgatando a figura geométrica ausente nas bandeirinhas de Volpi. Vale lembrar que o pintor resolveu a questão no espaço bidimensional, recorrendo a variações cromáticas. Também por isso o advogado Pedro Mastrobuono, diretor jurídico do Instituto Alfredo Volpi, pretende desenvolver um projeto de iluminação no parque que destaque esse diálogo formal e evoque o talento colorista de nosso maior pintor moderno, contando para isso com a ajuda do paisagista Marcelo Faiçal, parceiro de Rebocho na recuperação de cinco praças de São Paulo.

Mastrobuono foi escolhido para, em nome da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), debater com integrantes da Câmara Municipal de São Paulo medidas de proteção ao meio cultural de São Paulo em face do Plano Diretor da cidade. Entre suas propostas, além da doação do monumento a Volpi, às expensas do Instituto Alfredo Volpi, estão a criação de uma creche em tributo aos esforços do pintor para sustentar 19 crianças adotivas em sua modesta casa do Cambuci, além da instituição de um prêmio com o nome do artista para iniciativas de desenvolvimento sustentável.

Como se sabe, Volpi foi pioneiro também nessa área. Artista independente, avesso a movimentos artísticos - a despeito de sua breve ligação com os artistas concretos - ele igualmente não aceitava depender dos fabricantes de material de pintura: fabricava as próprias telas (de linho rústico) e tintas com pigmentos de material orgânico e inorgânico trazidos de várias regiões do País por colecionadores de suas telas.

O monumento a Volpi, que terá quase cinco metros de altura com o pedestal, é uma versão ampliada de uma escultura de Rebocho exposta na primeira edição da feira Art Basel, em Miami, em 2002 O artista e advogado, de 68 anos, é também um ex-colecionador, que vendeu seu acervo há dois anos. Ele começou a esculpir nos anos 1990, sem intenções comerciais - "sempre sob influência de Volpi, que marcou toda a minha trajetória". Ecologista de primeira hora, tentou fazer de pracinhas abandonadas lugares aprazíveis onde o paulistano pudesse conviver com a natureza e arte. Pagava do próprio bolso para funcionários cuidarem de praças como a Simon Bolívar, Califórnia e Debora Rebocho (mãe do escultor).

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