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Elza está aí!

29 janeiro 2022 - 08h00 Por Gabriely Machado
Elza está aí!

A nossa Elza Soares se foi. Deixou-nos no dia 20 de Janeiro, carambola!, na mesma data em que há 39 anos faleceu seu marido, o também amado Garrincha, um dos nossos grandes jogadores de futebol, também com seus típicos problemas pessoais. Era um atleta muito especial, fantástico, em campo, só não se podia lhe pedir muita racionalização.
E, vejam só, Elza se foi um dia após os 40 anos da despedida da outra muito amada Elis Regina. Elza estava com 91 anos, já não se apresentava mais em pé e bailando. Se expunha sentada, mas sua voz permanecia envolvente. E passando daqueles seus agudos aos tantos roucos que liberava. Um jeito bem dela mesmo.
Quando ela nos surgiu eu era garoto, lá pelo final dos anos de 1950. Por isso entendo uns comentários de garotos, ou gente mais jovem, dizendo que nunca a tinham visto ou ouvido. Mas ela circulou bastante, tanto por aqui, no Brasil, como fora. E era admirada, era respeitada. Grande intérprete.
Ela era cantora de Samba. Num jeito meio-diferente. Ela acrescentava uns chamativos que logo fui identificando nos cantores de Blues. Certa vez ouvi um comentário dela sobre o jeito de cantar do americano Louis Armstrong, com quem ela se apresentou, faz tempo, dizendo que “ele me imitava”.
Alguns autores que escreveram sobre Elza dizem que seu início na música brasileira foi no chamado “Sambalanço” (quem vai lembrar de “Se acaso você chegasse”, coisa lá de 1959?). Mas nunca parou.
Vejam só, na segunda e na terça-feira, 17 e 18 de Janeiro, ela andou em São Paulo, onde gravou várias músicas no Teatro Municipal. Dois dias antes de falecer. Elas serão lançadas aí para Março. Ela não parava, estava sempre criando algo novo.
Nos seus 34 discos (até aqui!), ela circulou bastante por muitos ritmos, mesmo no rock, como no bolero e no forró. Claro, passou pela Tropicália. Particularmente, não conheço tudo, mas dizem que ela andou mesmo pelo funck e pelo hip-hop. Uma vez li uma crítica que dizia ser Elza uma mulher muito vaidosa, com tantas plásticas. Como se isso lhe impedisse de ser mais, de fazer mais. Pois está claro que uma nada diminui a outra. Ela não só agregava seu jeito especial de cantar, de interpretar as palavras das letras com também os sons das melodias.
Assisti espetáculos dela em que discursava em favor de causas. Impactante! Sim! Esse é um ponto que me chama muito a atenção, a sua postura de batalhadora. Especialmente, ela era uma lutadora no empoderamento da mulher. Sei o quanto essa defesa é imprescindível. Vi muitos casos de violência sobre a mulher. O machista que bate uma vez, mesmo que peça desculpa, bate de novo.
Pois a Elza era igualmente uma mulher negra neste nosso imenso Brasil de hoje. E ela batalhou também pelas expressões de Umbanda e Candomblé. Claro, lutou muito pelos direitos de todas as etnias, mas também pelas liberdades de expressão. E nisso ela conquistou muito respeito. Até porque não temos tantos nessas causas, mesmo ainda hoje.
Se você conhece a obra da Elza Soares curta! Se não, tente saber. Vale muito!