Essa semana, conversando com um amigo, falamos de escrever. Disse-me não ter paciência para escrever crônicas.
“São pequenas, mas muito longas”, considerava para ele. E chamou essa escrita de “croniquente”. De fato, crônicas tem um jeito próprio, ainda que cada autor possa variar bastante. Disse-lhe que iria usar a expressão dele. “Pode, se não me identificar”, assim prometi. Se o grande Guimarães Rosa inventava palavras, expressões variadas, todos podemos fazer também.
Esse amigo me pediu para escrever algo sobre Jazz, alegando que fazia tempos que eu não tratava disso. E ele queria entender melhor o tal gênero musical.
Coisa da descendência afro-americana do século XIX e que foi adquirindo uma expressão muito especial pelo início do século XX, lá no Sul dos Estados Unidos e que se expandiu para Chicago e Nova York. De fato tinha um projeto assim. Queria falar da influência na música brasileira, Bossa Nova, claro.
Estou finalizando a leitura do recente “História da Música Popular Brasileira – sem preconceitos, vol. 1”, do Rodrigo Faour. Obra interessante. Mas aí tivemos a perda da Elza Soares e decidi adiar um tanto, depois das minhas falas sobre ela.
Decidi repartir com vocês, meus leitores, esses processos todos. E vamos seguindo.
Coisa de professor, creio, leio vários livros ao mesmo tempo. Alguns leio bem rápido. Outros demoro um bom tanto. Estou retomando a leitura do “clássico” livro do Zuenir Ventura, “1968: O Ano que Não Terminou”. Um tempo forte da minha geração. Naquele ano acabei dirigindo o Centro Acadêmico 22 de Agosto, da Faculdade Paulista de Direito, antiga Universidade Católica, depois PUC-SP.
Muita coisa foi acontecendo pelo mundo. Em maio daquele ano ocorreram as ocupações da Sorbonne pelos estudantes franceses. Logo depois os estudantes americanos ocuparam a Universidade da Califórnia.
E, um tanto após, ocupamos, em São Paulo algumas universidades. Foi o caso da PUC e da USP. Muita coisa rolou.
Assumimos já no primeiro dia, que controlaríamos, sem deixar vandalismo ocorrer. Lembro que estávamos na Faculdade de Filosofia da USP, na rua Maria Paula, quando uns garotos de rua perguntaram para onde iríamos dali.
José Dirceu, que era o dirigente estadual, da UEE, respondeu que iríamos para a PUC. “E como se vai para lá?”, perguntaram. Dirceu respondeu que eles deviam ir até a avenida próxima e tomar um ônibus.”
Já estávamos na PUC quando de repente vários ônibus foram parando. Fomos ver o que era. Vários daqueles garotos foram saltando. Fui falar com eles, “o que está havendo?” eles disseram com sinceridade: “Fomos até a avenida, paramos e ‘tomamos os ônibus’ como o Dirceu orientou”.
Mas agora estou finalizando a leitura de outro livro do Amyr Klink, “Mar Sem Fim”, sobre o giro pela Antártida. Gosto do modo dele se expressar. Li outros, como o “Paratii Entre Dois Polos”.
Como ele diz, “navegar sozinho não é solidão”. Fiz curso de navegação, mas nunca tive meu barco. Mas sei o quanto o mar é poético. Um dia escrevo algo. Pense no que você tem a dizer. E diga.