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O Mar Adiante

12 fevereiro 2022 - 08h00 Por Gabriely Machado
O Mar Adiante

O Mar sempre me foi de um forte impacto. Esteja ou não ante ele. Quem não o conhece está perdendo muito de sua vida. Morei no Litoral, em várias partes do Brasil, e pude conhecer outros mares mundo a fora. Naveguei por mares, “nunca dantes navegados”. Coisa especial, sim. Sei bem do seu encanto. Minha Carta de Arrais já se foi. No entanto, a visão do Mar vai permanecer em mim. Esteja ou não ante as vagas que nos vem e se vão. O perfume da brisa permanece. E por que negar sua doce maresia? 
Como Poeta o Mar me envolve. Tenho um livro onde o Mar é o tema dos poemas, inicialmente denominei de “Olhando o Mar”. Um livro ainda inédito. Um dia publico. Mas sei que sempre estarei com o Mar frente a mim, ao menos em minha mente. E ele vai deixar pingar em mim as suas gotas. Por vezes serão como chuvas, em outras serão gotículas, como orvalho. Meus dedos sempre estarão umedecidos de seus versos. E assim sempre vou me expor.
Chega-me um poema e me chama: “Despertar”.
“lentamente/ num espreguiçar de gata dengosa/ nem chegas ao despertar/ vais ficar como ficas/ fazer o que sempre fazes/ deixa o tempo passar”//
“o sol fez o seu giro/ mergulhou novamente/ volta a se despir no mar/ buscou o fundo das aguas/ até te encontrar/ nua no novo dia”//
“então saberei/ pelo sabor da maresia/ que distraída exalas/ pela brisa morna em meu rosto/ que sopras quando te achegas/ vou ao encontro da manhã de poesia”.
O Mar é um percurso que se nos oferece. Ele se abre em um horizonte imenso, um caminho a seguir sem limites. O mais largo, seja para os lados, seja para a frente. Observe quanta metáfora, quantos sentidos podemos vislumbrar. O Mar nos toca. Como que nos chama, e nos mira em seu jeito sedutor. O Mar sempre nos envolve.
O fato é que o Mar, dominante, assume os espaços em que nos vemos. E o mundo que se nos apresenta. Não temos como vermos um outro campo que não seja o que se oferece a frente, aberto, amplo. E por que nos negarmos a ele?
O nosso alento é a esperança de que tudo se abra nesse imenso horizonte a sempre nos convidar. A sua luz encanta. Mesmo que envolvido por “este seu olhar que me escapa para perdidos horizontes”. Versos saltitam.
Sei bem, sabemos todos, este ser a quem amamos também “escapa-me para experiências estranhas/ esquece-me em invernos solitários/ como um navio se distancia dos acenos”. E como outras tantas vezes também “deixa-me a maresia que sobrou do seu olhar”.
Sei que as crianças amam e, no início, também temem esse “estranho Mar”. Elas vão a ele. Recolhem uma água. Vão fazer suas pequenas piscinas. Montam seus castelos de areia. E voltam a olhar o Mar, ali a frente. Depois que aprendem a nadar, lançam-se ao Mar. E, por que não? ao surf, a navegar, a sonhar.
Como fingir não perceber os “Acenos sobre o Mar”?
“quando o seu sorriso/ abre-me o branco das certezas/ sei que estão chegando as manhãs/ serão novamente os acenos/ das gaivotas sobre o mar/ voltarão os barcos do oceano/ espalha a manhã pelo ar”.